O que nos preocupa

Por: Greice Scotton Locatelli | 13/03/2020 06:00:32

O que preocupa você no exato momento em que lê este texto? As contas que se acumulam? Um problema familiar? Algo relacionado à saúde? Ou seria um assunto ligado ao trabalho? Independentemente do motivo, essa agonia não é exclusividade sua. Todos nós, em algum momento (quando não sempre, infelizmente), estamos preocupados. Faz parte da condição humana.

Mas e quando parece que tudo conspira para nos deixar ainda mais aflitos do que o normal? É o que tenho percebido com o assunto da vez, o Coronavírus. Basta prestar atenção ao seu redor: no supermercado, na parada de ônibus, nas conversas de rua. Poucos assuntos estão tão em voga quanto a pandemia que começou na China e trouxe consequências que não se via desde a Segunda Guerra Mundial em muitos países. 

Na Itália e na Espanha, uma mistura de toque de recolher e isolamento foi anunciada nesta semana, junto com uma série de restrições que afetaram o cotidiano das cidades e impactaram muitos brasileiros que por lá vivem ou estavam de passagem. Há relatos de supermercados desabastecidos, gente estocando água, comida, um pânico generalizado. Como já era esperado, no Brasil o número de casos cresce a cada dia, inclusive na região. Em Bento, os três casos suspeitos foram descartados, mas imagino que seja só questão de tempo.

Há um porém, no entanto: você concorda que a gente já viu esse filme – mais de uma vez, inclusive? O Coronavírus de hoje é a Gripe H1N1, a Febre Amarela, o Sarampo, a Dengue, o Zica Vírus, a Chikungunya de outrora. Com uma diferença crucial: depois de um tempo algumas dessas epidemias/pandemias vão perdendo força, enquanto outras seguem assolando o Brasil há anos. Então, pergunto: por que o Coronavírus nos preocupa tanto, enquanto a dengue parece não assustar mais? Só porque a dengue não é mais novidade para a grande mídia não quer dizer que deixou de existir, pelo contrário! Há muito mais notificações da doença transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti no Brasil do que confirmações de casos do Coronavírus no mundo todo. 

Penso que temos que nos preocupar, sim, com qualquer doença altamente contagiosa e letal. Mas, ao mesmo tempo, precisamos ter em mente que há uma grande diferença entre preocupação e pânico. O exemplo mais concreto vem da Itália, que passou de oito a 80, como dizem. O ideal é estabelecer um ponto de equilíbrio: não facilitar, mas também não se desesperar. Afinal, pânico e desinformação andam juntos tanto quanto a desinformação e as notícias falsas, que são o nosso calcanhar de aquiles em termos de saúde. Graças a essa dupla – nada agradável – doenças erradicadas há décadas voltaram e com força. 

Além do mais, é urgente e imprescindível redobrarmos a atenção para a prevenção, seja da Dengue, do Coronavírus ou de qualquer outra síndrome que ameaça as nossas vidas. O básico – aprender a lavar as mãos – já está acontecendo. Agora, o desafio é tornar isso um hábito, não apenas uma medida quando há vírus transmissíveis pelas superfícies e por contato. Quanto à Dengue, a falta de cuidado de um pode afetar todos, por isso é importante não baixar a guarda. Até porque, fora dos holofotes em meio à disseminação do Coronavírus, a Dengue voltou a crescer e registra aumento de mais de 70% nos casos em relação a 2019. E essa precisa ser uma preocupação constante de todos nós.
 


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Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.




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