Você também não aguenta mais?

Por: Greice Scotton Locatelli | 20/03/2020 06:00:00

Vivemos dias de incerteza e que exigem de nós, acima de tudo, paciência. Aposto que você se encaixa em um desses dois grupos: ou está extremamente preocupado com o Coronavírus ou não aguenta mais ouvir falar nisso. Eu estou mais para o lado da impaciência, farta de ouvir falar desse assunto e de ter que noticiar dezenas de vezes por dia os desdobramentos dele com cenários que mudam em questão de minutos. De repente é como se não houvesse outra notícia – e realmente são raras as que fogem desse tema: não há mais violência, problemas no trânsito, demandas diárias que antes exigiam a nossa atenção, tudo gira quase que exclusivamente em torno da contaminação. Só que não aguentar mais um mesmo assunto não é pretexto para ignorar medidas de prevenção assim como não pode ser, enquanto jornalista, uma desculpa para deixar de fazer o meu trabalho. Mas como manter as pessoas informadas sobre o que está acontecendo, sem causar terror frente a tanta informação simultânea?

A situação muda em questão de horas, às vezes de minutos, e é preciso encontrar um ponto de equilíbrio para não surtar. Eu sei que parece um filme de ficção científica e que, assim como eu, você também está inseguro sem saber o que vai acontecer em seguida. Seremos obrigados a ficar em quarentena, trancados dentro de casa como já acontece em outros países? Por quanto tempo? Haverá uma estrutura de saúde para atender a todos os pacientes? O que fazer com as crianças em casa, com aulas suspensas, quando nem todas as empresas suspenderão as atividades? E se isso perdurar por bastante tempo? E quando a comida acabar? Como a economia vai se recuperar? Perderei o meu emprego? São muitas perguntas que nós nos fazemos e que nos fazem a todo instante em dias em que até o tão clichê clima perdeu a vez nas rodas de conversa. Aliás, cuidado com elas, não pode aglomeração de pessoas!

Grandes canais de televisão e sites de notícias falam quase que exclusivamente sobre o Coronavírus o tempo todo, o que é bom no sentido de alertar de que existe um problema grave e temos que nos preparar para ele, mas também faz com que o assunto não saia do nosso pensamento, o que pode causar pânico. A pandemia já mudou drasticamente a rotina de muita gente mundo afora e agora nos obriga a tomar atitudes semelhantes por aqui, desde atitudes básicas como evitar contato físico através de beijos, abraços e apertos de mão até evitar correr para os supermercados e estocar comida e itens de higiene e limpeza.

É fato que precisamos nos cuidar e que higienizar as mãos não deveria ser algo imposto, mas um hábito diário para prevenir não só o Coronavírus, mas tantos outros. Era uma lição que deveríamos ter aprendido há muito tempo, que foi ensinada arduamente durante a pandemia de H1N1 há alguns anos, mas que, como quase tudo que fazemos, caiu no esquecimento depois de um tempo.

Que situações como esta do Coronavírus nos inspire a adotar hábitos saudáveis sempre, não só em emergências globais. E que possamos ter a calma e o discernimento necessários para nos adaptarmos como der, com prudência e bem informados, mas sem pânico. No fundo, a gente sabe que o dia de amanhã é algo sobre o qual não temos controle.


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Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.




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