O novo normal

Por: Greice Scotton Locatelli | 30/04/2020 07:45:34

Você já se perguntou como será a nossa vida depois que a pandemia passar? Pode ser daqui a algumas semanas ou meses, uma hora vai acontecer. O que será “normal” depois dessa experiência pela qual a humanidade passou? Teremos aprendido as lições? Valorizaremos mais os momentos em família ou entre amigos? Manteremos medidas de higiene? Seremos mais humanos e menos egoístas? Daremos mais valor a professores e profissionais de saúde?

Como quase tudo, a disseminação do novo Coronavírus divide opiniões e algumas pessoas são bem determinadas quando o assunto é defender o ponto de vista delas próprias. E geralmente quando isso acontece são extremos: ou elas bradam aos quatro ventos que tudo isso é uma grande mentira, acusando quem está preocupado de fazer “terrorismo”, ou estão obcecadas pelo assunto a ponto de não conseguir pensar ou falar sobre outra coisa.

É o famoso “8 ou 80”, mas com uma diferença. Tanto quem minimiza os efeitos da pandemia quanto quem está exageradamente temeroso tem algo em comum: a incerteza. Mais do que nunca, o “viver um dia de cada vez” tornou-se literal. Não adianta tentar prever, fazer prognósticos e previsões. É inútil tentar remarcar a comemoração do casamento, a festa de aniversário do filho, tentar prever quando poderão voltar a acontecer os almoços de família ou quando as escolas voltarão a funcionar (e se voltarem, quantos pais permitirão que os filhos voltem). Essa pandemia ainda pode durar meses ou pode ir melhorando em algumas semanas, não há como prever.

O que se sabe é que, apesar de todas as imposições do isolamento social, nossa vida por aqui ainda é fácil se comparada ao que moradores de outras regiões do mundo estão enfrentando. Você acha chato ter que sair de máscara? Na Espanha as crianças foram obrigadas a ficar dentro de casa por 6 semanas. Desde o último sábado, os pais podem levá-los para uma hora de atividade ao ar livre por dia, mesmo assim com uma lista enorme de determinações que precisam ser seguidas. Em Londres, já são cinco semanas com toda a população isolada dentro de casa e a previsão é de que novas medidas só sejam anunciadas dentro de três semanas. Nada de concessões ou volta gradual às atividades. E mesmo assim o número de casos continua aumentando porque o Reino Unido demorou a adotar medidas de isolamento e fez poucos testes de Coronavírus.

Por aqui, o novo normal começa a se desenhar aos poucos, mas sem nenhuma certeza. A preocupação começou cedo (há mais de 60 dias, em Bento) e o distanciamento social cumpriu o objetivo de dar tempo para que as equipes de saúde se estruturassem. Durante a entrega da obra dos leitos de isolamento no Complexo Hospitalar nesta semana, o prefeito Guilherme Pasin destacou o fato de que a cidade é uma das mais bem preparadas para enfrentar a pandemia na região.

É preciso ter em mente, no entanto, que a solução para sobreviver a essa pandemia é multifatorial: não basta termos leitos de isolamento. Não basta termos aumentado o número de leitos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Tacchini. Não basta medidas de sanitização nas ruas, nem medição de temperatura corporal da população. Não basta sairmos só quando necessário, nem usarmos máscaras. Para que realmente consigamos combater a COVID-19, é preciso que tudo isso seja feito simultaneamente. E talvez esse seja o maior desafio, porque muitas dessas medidas são individuais.

Assim como as incertezas que tanto nos preocupam, a mobilização tem sido intensa. O ideal é que tenhamos em mente que é necessário um ponto de equilíbrio: nem ficarmos desesperados, nem despreocupados a ponto de relaxar. A pandemia é séria e ninguém sabe o dia de amanhã. Mas, se cada um fizer a sua parte, vamos superar isso juntos.


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Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.




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