Você é aquele que espera... não o que faz

Por: Felipe Sandrin | 15/05/2020 06:00:33

Michael Jordan recebe a bola, se livra da marcação e arremessa... Três pontos e novamente campeão.

Quantas histórias incríveis podem começar ou mesmo terminar sendo contadas dessa forma? Superação?! Afinal, o que representa essa palavra? Superar a pobreza, as condições limitantes? Superar a cor da pele e o sexo? Não, vai muito além disso. Quer olhar para os fenomenais? Olhe primeiramente para os que lhes criticam.

Sentado na primeira fileira que separa a quadra do público está o repórter a narrar o jogo. Mais do que a partida, esse homem tece comentários sobre aqueles poucos que estão de uniforme. Sim, existe o narrador porque existem os jogadores. Ali, fora da quadra, esse homem evidentemente acima do peso dá pitacos sobre o que o time precisa fazer para vencer. E quando – ao final – um dos times perder ele fará duros comentários sobre quem foi o vilão da partida.

Já notou isso? Os que criticam são a personificação dos que nunca poderiam ter chegado lá. Sobrou a eles narrar, fotografar, aplaudir ou julgar. Porque enquanto uns suam e treinam outros invejam e constroem suas teorias. Porque enquanto uns faturam milhões em uma única jogada, outros nunca arriscaram nada em suas vidas. Porque enquanto uns seguram a pressão sobre os ombros, outros nunca sairão da névoa que tange a periférica existência.

Olhe para aqueles que te criticam: são melhores que você no que? É esse tipo de pessoa que você deixa lhe influenciar? Gente que nunca construiu nada? Agora olhe para si, pense naqueles que você mesmo critica e responda sinceramente: o que você construiu mais do que eles?

O que irrita os grandes não é a crítica ou falácia em si, mas sim a boca que profere o verbo. Como esse serzinho flácido que não aguenta subir dez andares usando as pernas quer dar regras para a vida? Como esse homenzinho que não estrutura o básico da vida quer ensinar algo a outros que chegaram onde ele nunca vai estar?

Não, o que arranca a paciência dos grandes não é a opinião contrária, mas sim o claro semblante do fracassado que grita querendo atenção. Quem está na quadra joga, quem não está nela assiste. Mas constantemente o mero espectador quer opinar, quer ser relevante a si e quem sabe a meia-dúzia dos outros fraquinhos que estão em volta.

Não, sua vida não é uma retrospectiva filmada, teus gritos abafados não vão no futuro lhe fazer ser lembrado como um revolucionário. Entenda uma coisa: há aqueles que fazem e há aqueles que esperam. Sabe o motivo de você tanto criticar? Porque definitivamente você não nasceu para ser aquele que faz.


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: felipesandrin@hotmail.com




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