Obrigado, SERRANOSSA

Por: Felipe Sandrin | 22/05/2020 08:43:42

Sete da manhã e eu finalmente podia ir deitar, consegui cumprir a agenda do dia e entregar o sagrado texto para o SERRANOSSA. Foram quase 15 anos assim, não lembro ao certo, assim como não lembro quando dei meus primeiros passos quando criança. Algumas coisas se fundem à nossa história e o tempo deixa de ser o instrumento de medida. 

Já no travesseiro consultei os números do mês em minhas redes sociais: 23 milhões de acessos só em abril. ‘Caramba, quando foi que comecei a chegar tão longe?’. Lembrei-me do meu primeiro poema para este jornal, do convite feito por Estêvão Zanetti, e assim, o que era para ser um texto, um pequeno espaço, tomou um espaço imenso na minha vida. 

Com essas colunas aprendi a disciplina, percebi que eu não podia deixar as inspirações me comandarem, eu precisava reivindicar o direito de criar conteúdo quando eu bem quisesse. Foi árduo, mas funcionou. Não tenho dúvidas de que muito de meu sucesso só aconteceu por causa da disciplina que desenvolvi junto a este jornal. 

Meus pensamentos sossegam, volto à realidade, já são quase 8 da manhã e eu ainda não fui dormir: ‘É momento de parar’. Surge o pensamento como um relâmpago, mas a luz não recua, ela aí permanece ainda mais reluzente, um clarão que logo ganha novas formas: ‘Felipe, é tempo de dar seu espaço a outra pessoa’. Respiro fundo e relembro Obrigado, SERRANOSSA que nos últimos meses escrever para este jornal se tornou quase obrigação, um peso a roubar espaço de novos e importantes projetos. E aqui ressalto um ponto: nesses quase 15 anos nunca faltei com o SERRANOSSA. Imagine você em quase 15 anos, onde quer que esteja, como quer que esteja, cumprir com seu dever sagrado semanal. Orgulho-me disso. Por isso também me orgulho de poder escrever esta última coluna aqui. 

Ah, se as entrelinhas falassem! Ah, se soubesse você onde e como alguns textos destes nasceram! Em meio a madrugadas de amor com garotas incríveis. Dentro de ônibus barulhentos, aviões com um ar congelante. Ano passado escrevi um dos textos por celular estando às sombras da Torre Eiffel, na semana seguinte, em um castelo da Bélgica. É, as entrelinhas falam muito. 

É hora de fechar as cortinas. Para o amor, para a política, para o envelhecer compartilhado e para toda essa janela que o compromisso de escrever para um jornal traz. 

Dei meu melhor ao SERRANOSSA, porque aqui muito de mim começou. Um pedaço deste Felipe Sandrin aqui se originou, para o bem e para o mal. Que coisa magnífica é a vida. Que sensação maravilhosa é essa de não querer-se mudar nada. 

Obrigado aos novos e velhos leitores. Um dia alguém irá ocupar o seu lugar também... e isso é ótimo, é um sinal de que a vida está acontecendo.
 


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: [email protected]




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