Ninguém quer ser síndico. E agora?

Por: Vicente Tomasi | 06/05/2020 16:49:23

Todo condomínio precisa de um representante legal para administrá-lo, mas é cada vez mais comum chegar na reunião anual, conforme a convenção de condomínio, e simplesmente ninguém se candidatar ao cargo. E agora, o que fazer? 

Muitas vezes os condôminos pressionam um dos moradores, que acaba cedendo, mesmo sem ter tempo livre ou conhecimento técnico mínimo. Isso é totalmente prejudicial tanto para ele quanto para o condomínio. Existe ainda outra possibilidade comum: aquele morador que diz “já que ninguém aceita eu fico”, mas cujo interesse real é apenas a ajuda de custo, como isenção ou desconto na taxa condominial, por exemplo. O fato é que o condomínio não pode ficar sem um síndico (seja ele morador ou não), pois todo CNPJ necessita de um CPF responsável. 

Claro que ter um síndico que more no prédio tem suas vantagens: estando diariamente dentro do condomínio, mesmo sem conhecimento técnico, ele pode ter uma melhor noção dos problemas e das soluções mais acertadas. Mas e quando isso não é possível ou viável?

Para solucionar esse problema recorrente surgiu a função de Síndico Profissional, uma tendência, na minha opinião, sem volta, pois a cada dia temos mais responsabilidades e menos tempo e administrar um condomínio exige muita responsabilidade. Muita gente não sabe, mas o síndico responde pelo prédio em diferentes esferas jurídicas: Civil, Criminal, Ambiental, Trabalhista e Tributária. Apesar de não haver risco ao patrimônio pessoal, as chances de ter dores de cabeça em função de transtornos são grandes. 

Outra alternativa é a parceria com uma administradora o que, apesar de não eliminar a necessidade de ter um síndico responsável, pode ajudar em situações do dia a dia. Com estrutura e pessoas qualificadas, a administradora não precisa ser apenas uma geradora de boletos, mas uma facilitadora na hora de encontrar os melhores preços para as necessidades do condomínio, por exemplo. Vale ressaltar que o prestador é um mero terceiro contratado para assessorar o condomínio, mas quem fica responsável responde sempre é o síndico e não a administradora. 

Independentemente de o síndico ser morador ou profissional contratado, outra dica é que os moradores acompanhem todos os atos, já que qualquer erro pode gerar custos que deverão ser pagos por todos. É o caso, por exemplo, de uma contratação mal feita ou de um serviço mal executado que exigirá retrabalho posteriormente. 

Como tudo na vida, só vivendo na prática para entender as situações. Como eu sempre digo, eu gostaria que todos os moradores de condomínios um dia tivessem a oportunidade de exercer a função de síndico. Com certeza a opinião deles iria mudar muito, afinal, é muito fácil apenas cobrar, sem executar, ainda mais sendo responsável por muitas famílias ou negócios dentro de um condomínio. 

Se você ficou com alguma dúvida, estamos à disposição para esclarecimentos ou sugestões de outros assuntos que possam ser abordados neste espaço. Entre em contato conosco através do e-mail [email protected]
 


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Vicente Tomasi

Vicente Tomasi

Síndico profissional. Diretor do Grupo Tomasi (http://www.grupotomasi.com.br/site/)





 




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