Não dá nada? Como você sabe?

Por: Greice Scotton Locatelli | 02/10/2017 00:00:00

As estatísticas divulgadas nesta semana pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) são simplesmente assustadoras. Somente em janeiro, quase um motorista embriagado foi flagrado por dia na BR-470, uma das principais rodovias de Bento Gonçalves. No trecho abrangido pela 6ª Delegacia, foram 500 flagrantes de excesso de velocidade, 87 ultrapassagens em locais proibidos, 70 pessoas sem cinto de segurança e nove crianças sem cadeirinha ou assento de elevação. Há vários outros números, mas penso que esses, por envolverem infrações (infelizmente) comuns, são os mais graves.

Você sabe o que é mais preocupante? Se o volume de flagrantes é tão grande, é sinal de que muita gente anda desrespeitando leis simples – e atentando diretamente contra a sua própria vida e a dos outros. “Ah, não dá nada. É só uma ultrapassagem” – não dá nada se não tiver outro veículo vindo na contramão. “Não pus o cinto porque só vou até ali, rapidinho” – se no caminho você se acidentar, as chances de morte são muito maiores. “Estou com pressa” – eu prefiro chegar atrasada e viva, mas fica a seu critério a decisão.

O problema é esse: nos iludimos achando que nunca vai acontecer conosco. Eu e você até podemos nos garantir ao volante e seguir as leis à risca, mas nunca sabemos qual a condição do motorista que vai à nossa frente ou que cruza nosso caminho do outro lado da rua. Cansei de ver pessoas morrerem sem culpa por irresponsabilidade dos outros.

Não é demagogia ou moralismo. Falo com a convicção de quem percorre a BR-470 todo santo dia e está acostumada a flagrar e se revoltar com todo tipo de irresponsabilidade – cheguei a comprar uma daquelas câmeras veiculares para comprovar as barbaridades cometidas na rodovia, volta e meia você confere algumas delas no site do SERRANOSSA. Ultrapassagens em local proibido tem todo dia, motoristas insanos querendo transitar em alta velocidade a qualquer custo também. Sem falar naqueles que não sabem calcular se dá tempo de atravessar a rodovia e acabam sempre cortando bruscamente a frente de outros veículos. 

Quanto aos motociclistas, são um caso à parte. Na rodovia até percebo um certo cuidado da parte deles – até porque as chances de ficar gravemente ferido e até morrer são muito maiores do que dentro da cidade, mas na zona urbana é um “deus nos acuda”. Semana passada mesmo tive a frente cortada por um motociclista que invadiu a preferencial e, depois de detonar o para-choque do meu carro, fugiu. Por sorte ele não se feriu e o dano foi insignificante perto do risco que ele correu. A filmagem o mostra de chinelo de dedo, com o capacete totalmente fora dos padrões previstos em lei. Pelo jeito como ele conduzia a motocicleta, aposto que sequer tem carteira de habilitação para tal. Aliás, falando nisso, também têm crescido assustadoramente o número de motociclistas que fogem de abordagens policiais, a maioria porque não é habilitado ou está com a habilitação suspensa ou em razão de documentação vencida. Mais uma prova de que as situações flagradas são apenas a ponta do iceberg.

Portanto, já passou da hora de exigirmos e praticarmos mais respeito. O trânsito é como quase tudo na vida: só se resolve se cada um fizer a sua parte. Enquanto houver pessoas dirigindo alcoolizadas e achando que “não dá nada”, nossas ruas e rodovias seguirão sendo palco de tragédias. Pode ser que na próxima curva ou esquina, o “não dá nada” se torne improvável.


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Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.




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