Comendo o pão que ajudamos o diabo a amassar

Por: Felipe Sandrin | 02/10/2017 00:00:00

A crise não é política, a crise não é na educação, a crise não está na segurança ou tão pouco esteja na saúde. A crise não está, pois a crise é. A crise é moral.

Essa tal crise começou há décadas junto da perda de valores, do desmembramento da família. Começou quando passamos a tratar a sociedade como culpada e o bandido como mero desamparado. Nossa crise se estendeu quando aceitamos entregar as armas, nosso direito de se defender a um estado falido composto por vagabundos da pior laia.

Malária, dengue, febre amarela? Chame o Exército. Violência, greve, caos? Chame o Exército. Saúde sucateada? Chame o Exército. No desespero, chame o Exército. Mas se alguém falar em Exército, considere este um fascista querendo a ditadura.

Presenciei protestos nos quais dezenas de filhotes da esquerda doente cantavam: ‘Não acabou, tem que acabar. Eu quero o fim da polícia militar!’. Pois bem, eu me prontifico a pagar uma passagem de ida até o Espírito Santo para esses que amam a bandidagem.

O Brasil está acordando, não o acordar no sentido de perceber em que melhorar, mas o acordar no sentido de encontrar culpados para o que estamos passando. Mais do que os políticos estamos aprendendo que uma classe de artistas, professores e estudantes universitários são os culpados por termos chegado nessa latrina a qual chamamos Brasil.

Dividir para dominar. Assim surgem as ditas minorias, os subgrupos defendendo interesses múltiplos, todos fixados em melhorar as devidas situações. Gritam ‘A mulher merece a igualdade!’ e seguem as dezenas de mulheres sendo estupradas. Fazem marchas dizendo: ‘Viva aos gays e à liberdade!’ e seguem gays sendo espancados e vítimas de preconceito. Barulho não resolve, o que resolve é lei sendo aplicada e a lei é igual para todos. Só que no Brasil não existe justiça. As pessoas não conseguem ter a mínima noção de que para se cobrar igualdade é preciso primeiro punir o crime com rigidez.

Tem me impressionado cada vez mais o analfabetismo funcional, as pessoas que fingem entender o que leem e arrotam soluções dignas de no máximo uma oitava série do Ensino Fundamental.

Fala-se em direitos humanos e o que vemos são as pessoas de bem padecendo covardemente na mão de bandidos cada vez mais cruéis. Culpa-se o cidadão de bem, o trabalhador, aquele que acorda cedo e trabalha duro pelos problemas do meliante de 16 anos que prefere pegar uma arma e matar a pegar uma ferramenta e trabalhar.

Enquanto isso, muitos professores ensinam nas escolas que o pai desse aluno é o capitalista bandido malvado que condena pessoas à pobreza, que explora o funcionário e escraviza a diarista que limpa a casa. Nas universidades, encontram-se os filhotes de papai revoltados que cantam contra a polícia e no fim do dia se reúnem para fumar maconha e discutir um novo Brasil, onde combateremos estupradores e delinquência com flores, poemas e músicas do Chico Buarque.

A crise é moral. A crise é a falta de vergonha na cara. Vocês esqueceram a Copa do Mundo e as Olímpiadas? Eu não esqueci. E nem penso que seja coincidência estarmos comendo o pão que o diabo amassou.

Falta dinheiro para pagar a polícia, os professores e servidores públicos, enquanto isso as obras bilionárias dos eventos estão lá, caindo aos pedaços.

O lado bom disso? Pais vão parar de criar filhos para serem funcionários públicos. O Brasil do futuro é o Brasil do setor privado. Chega de tanta gente mamando nas tetas do Estado pelo resto da vida. A época das vacas gordas findou-se. Logo seremos – como dizem os esquerdopatas – todos vítimas da sociedade.

 


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: [email protected]



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