Criticar, reclamar, criticar

Por: Greice Scotton Locatelli | 17/02/2017 00:00:00

A imagem publicada junto a este texto anda circulando pelas redes sociais e resume absolutamente tudo que fazemos na vida. Ou seja, não importa qual a sua decisão, o seu motivo ou o seu objetivo, você sempre será julgado por pessoas que não fazem a menor ideia da sua realidade. E, para piorar, esse é um hábito que a maioria de nós insiste em manter. Ou seja, somos tão julgados pelos outros quanto os julgamos.

Quem já tentou abandonar essa mania sabe o quanto isso é difícil – eu até hoje não consegui. Temos opinião para tudo e criticar é algo que está sempre na ponta da língua. Algumas pessoas são verdadeiras metralhadoras de críticas, reclamam de tudo, o tempo todo, por qualquer motivo. Outras até conseguem exercer o autocontrole, mas julgar mentalmente é tão inevitável quanto. Pensando bem, nem mesmo as pessoas mais espiritualizadas que conheço conseguem maneirar quando o assunto é julgar (e condenar, na maioria das vezes) os outros. E não interessa se é um desconhecido, seu melhor amigo, seus pais ou o governador do Estado. Ninguém escapa.

A inclusão digital tornou esse comportamento ainda mais comum. Por um lado as facilidades de acesso on-line abriram um leque de possibilidades e mudaram o jeito de as pessoas se comunicarem. Por outro, deram voz a quem não necessariamente sabe as implicações que opinar de maneira pública pode ter. Somado a isso, aparecem muitos que adoram ver “o circo pegar fogo” e escrevem qualquer besteira só para ver a repercussão que terá. Facebook, Twitter, Instagram, entre outros, também tornam explícito o quanto algumas pessoas são ranzinzas. Aqui no jornal vemos o tempo todo esse tipo de reação. 

O julgar (as pessoas) e o reclamar (sobre as coisas) andam juntos. Na semana passada, o anúncio de que os banheiros públicos da praça Achyles Mincarone (bairro São Bento) finalmente começariam a ser construídos, uma reivindicação de décadas da população, trouxe à tona certa insatisfação de pessoas que acreditam que seja melhor investir em outras áreas. Outras passaram a criticar o valor da obra (pouco mais de R$ 86 mil). A minha opinião? É uma obra que vai trazer comodidade aos usuários e aos visitantes da praça e acalmar os moradores das proximidades, que já não suportam conviver com jovens transformando a entrada de suas casas em verdadeiros banheiros públicos. Isso eu sei. Quanto a polêmicas envolvendo valores, não me sinto em condições de opinar. Não vi o projeto em detalhes, tampouco tenho conhecimento preciso sobre quanto uma obra desse porte custa. 

O certo é que, quando alguém gosta de criticar por criticar, não há boa intenção que resolva. É preciso respeitar a opinião de cada um, assim como a crítica é válida (e necessária) quando se trata de cobrar o bom uso do dinheiro público – caso da situação descrita há pouco. Mas vale a reflexão: será que, no nosso dia a dia, não estamos reclamando de muitas coisas à toa? 


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Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.




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