Um político sem formação é apenas um ignorante simpático

Por: Felipe Sandrin | 24/02/2017 00:00:00

Imagine-se no seu trabalho de anos, em uma empresa para a qual você se dedicou começando lá de baixo. Imagine os anos de aprendizagem, os lentos passos em direção a cada promoção. Imagine o suor e a dedicação visando o objetivo de atingir o topo. Bem, muitos de vocês já devem ter sonhado com essa ascensão. Agora imagine que um novo funcionário surja nessa empresa, alguém que mal conhece esse trabalho, mas que surpreendentemente em pouco tempo vira seu chefe e, mais do que isso, passa a ser o grande gerente de toda essa empresa. Pense que a única caraterística dessa pessoa é sua simpatia, nada além disso. Revoltante não? Pois é isso que acontece a cada vez que elegemos um político para gerir nossa cidade, estado e país.

João Doria não irá receber salário como prefeito de São Paulo. Sabem por quê? Porque em sua carreira como empresário ele se revelou um ótimo administrador. Estudou, graduou-se, aprendeu na prática sobre como funciona a administração de departamentos e relações pessoais. Doria não é um político, mas um empreendedor que precisou ser o melhor em um mercado de extrema competição. Para ser o melhor, ele não treinou apertos de mão e sorrisos, mas decidiu se capacitar através do estudo.

A cada vez que elegemos um político estamos simplesmente entregando nossa cidade, estado, país a alguém que chegou ao topo passando outros para trás. Enquanto tantos estudavam para se aperfeiçoar, o político treinava seus discursos e sorrisos. Enquanto os administradores varriam madrugadas sobre livros de cálculos e gestão, o político rabiscava seu discurso a fim de ganhar o grito de apoio dos mais ignorantes. Enquanto alguém estudava para se tornar uma engrenagem a ajudar o mercado a produzir bens, empregos e renda, o político se aperfeiçoava na arte de convencer outros de que ele mereceria todo mês morder os cofres do Brasil e receber parte do dinheiro suado dos trabalhadores.

Empresários empreendedores são terror de um país como o Brasil. Sabem por quê? Porque empresários bem sucedidos são a prova cabal de que um político de profissão é nada menos que uma sanguessuga a roubar o meu dinheiro, o seu dinheiro.

Novamente. Imagine-se dono de uma empresa. Você entregaria o cargo máximo de seu negócio para alguém meramente simpático e com um bom discurso? Agora pergunto, pense aí: qual a formação do último prefeito que você votou? Qual o diploma que está na parede do último governador para quem você deu seu voto? Não sabe? Uma mais fácil então: qual o nível de escolaridade dos vereadores que você apoiou? Bem, 99% das pessoas não fazem a menor ideia sobre a formação do político a quem entregam os votos. Eis o retrato de um país fadado à ruína. 

Um político tem como grande objetivo sua carreira. Ele não almeja administrar nada senão o próprio sucesso. Nunca uma cidade, um estado e uma nação serão a prioridade para um político, pois sua prioridade sempre estará entrelaçada à necessidade do dinheiro que esse político pretende tirar dos cofres públicos. Ele é dependente de se manter nada mais do que um político.

Lembre-se disso quando for escolher candidatos. O Brasil não precisa de políticos, precisa de gestores com formação e experiência. Pare de ouvir discursos e passe a se perguntar: o que esse candidato ou candidata era antes de entrar para a política?

 


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: [email protected]



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