Exemplos a serem seguidos – Parte 1

Por: Greice Scotton Locatelli | 24/02/2017 00:00:00

Tive a oportunidade de conhecer Brasília quando era adolescente e lembro como a organização da cidade me deixou fascinada. Aquelas ruas simétricas, perfeitamente desenhadas e planejadas, mostravam por que a cidade é considerada uma das maiores obras de arquitetura e urbanismo da história.

Um pouco antes eu já havia me apaixonado por Curitiba, uma cidade limpa, serena, onde tudo parecia se encaixar para funcionar tal qual uma engrenagem perfeita. Naquela época, eu não fazia ideia do que era uma cidade-modelo, tampouco como o lugar em que escolhemos viver pode impactar na nossa qualidade de vida. Anos mais tarde, durante a faculdade de Comunicação Social, convivi com curitibanos que sempre fizeram questão de demonstrar a saudade que sentiam da segurança que a organização urbana propiciava – a eficiência do transporte público era assunto recorrente em nossas conversas. Até hoje recordo de como eles se orgulhavam da rapidez na execução de projetos – dos mais simples aos mais faraônicos – e da forma de comunicação eficiente entre o Poder Público e a comunidade. 

Entra ano, sai ano, e de tempos em tempos Curitiba volta à minha memória como uma doce lembrança. Recentemente, uma entrevista com o ex-prefeito Jaime Lerner repercutida na televisão me fez entender um pouco do fascínio que aquelas ruas causaram em mim nas vezes em que estive lá. 

Lerner é arquiteto e foi três vezes prefeito de Curitiba e duas vezes governador do Paraná, sendo considerado um dos responsáveis pela revolução urbana que tornou a capital paranaense referência internacional. Uma das ideias geniais que ele teve foi a de comprar o lixo da população, isso antes da década de 1990. Óbvio que causou estranheza no início e provavelmente foi alvo de polêmica, mas isso impactou (e ainda impacta) positivamente na questão ambiental e na melhoria da qualidade de vida da população. Com o mote “lixo que não é lixo não vai pro lixo”, ele incentivou as famílias a adotarem o hábito de reciclar em troca de dinheiro, vale-transporte, cestas básicas e até ingressos para partidas de futebol. Ou seja, criou hábitos positivos. “Pensaram que eu estava louco”, divertiu-se ele, durante a entrevista ao jornalista Roberto D´Ávila, da GloboNews.

Outra revolução que teve participação determinante do ex-prefeito foi a do transporte público. O tráfego de coletivos em vias exclusivas (nos chamados ônibus expressos), mundialmente conhecido por Bus Rapid Transit (BRT – Trânsito Rápido de Ônibus), fez Curitiba se tornar um local pioneiro nesse modelo de gestão de transporte urbano, que hoje é utilizado por mais de 200 cidades no mundo, tamanha sua eficácia. 

Caxias do Sul também tem novidades nessa área. É a primeira cidade brasileira a dispor de um serviço inovador de transporte coletivo privado que se adapta às necessidades dos usuários. O Murbi (Mobilidade Urbana Inteligente) entra em operação ainda neste mês, com implementação piloto no Shopping Iguatemi. O projeto conta, inicialmente, com seis empresas de transporte que atuam como operadoras do serviço devidamente licenciadas e cadastradas junto à prefeitura. São 300 veículos, parte da frota acessível a cadeirantes, e motoristas profissionais treinados. Entre os benefícios, comodidade e conforto (os passageiros só viajam sentados), segurança (as pessoas desembarcam em frente às suas residências) e rapidez (a rota é planejada conforme as necessidades do usuário e a definição de local de interesse, horário e demanda concentrada). 

Projetos desse tipo podem – e devem – servir de exemplo. Afinal, estudos apontam que cada ônibus reduz 19 carros de passeio na rua, ou seja, menos trânsito e redução das emissões de gases poluentes.


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Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.




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