Bastardos Inglórios

Por: Thiago Galvan | 16/07/2021 14:13:38

O filme que dá título ao texto de hoje é estrelado por Brad Pitt e Mélanie Laurent. Traz à tona uma trama para que, aparentemente, soldados judeus sejam recrutados em uma missão suicida, papel exercido por Brad Pitt, ao mesmo tempo em que expõe também um dos sentimentos menos nobres do ser humano, a vingança, já que, sobrevivente da morte de todos os seus familiares, a protagonista Mélanie Laurent foge para Paris e se disfarça de proprietária de um cinema local enquanto planeja vingança. Ambos têm como objetivo eliminar soldados nazistas. 

A trama recebeu esse nome porque esses soldados, recrutados para matar judeus, eram chamados por seu superior de “bastardos”, sendo parte desses que se revoltara contra os nazistas, e, então, são considerados inglórios. Não se sabe ao certo por qual razão o Chefe da SS (divisão policial Alemã responsável pela caça aos judeus) chamava seus soldados de bastardos, já que a palavra em si, em inglês, tem uma conotação extremamente pejorativa. No Brasil, aliás, apesar de ter um significado aparentemente diferente daquele empregado nos Estados Unidos – e é importante frisar que a palavra tem essa conotação principalmente no inglês americano –, a palavra bastardo também tem certa conotação pejorativa, mesmo que seja frequentemente utilizada, já que cultural.
Cultural!

Quanta coisa nos escondemos por detrás sob a justificativa de ser cultural. Ainda hoje eventos como a farra do boi acontecem de maneira clandestina. E tanto é assim que, recentemente, um animal (touro) foi visto nadando no mar de Itajaí, SC, o que se constatou posteriormente estar fugindo de um desses eventos. 

Há anos, uns 25 mais ou menos, visitei uma chácara onde o proprietário criava galos de briga. Sua alegria era mostrar aos visitantes como seus galos eram bons nisso. E orgulhava-se disso! Dizia ele, porém, que não era problema, já que ele sempre separava os animais antes que se machucassem gravemente. Eu não sei se paravam. Eu não fiquei assistindo àquilo. Sério?! Qual é a graça de ver os galos brigando? Qual é a graça de judiar de um touro até a morte?

Não sou hipócrita! Não nesse assunto. Eu como praticamente todos os tipos de carnes de animais. Gosto de experimentar carnes exóticas, desde que aquelas aceitas pela nossa cultura. Não sou contra a caça ordenada, a pesca organizada dentro dos parâmetros e padrões que respeitem a sobrevivência das espécies. Afinal, a alimentação é essencial também para a sobrevivência da nossa espécie, que se diz humana. 

Apendamos com os animais! Estes não nos atacam por nada. Eles somente nos atacam quando acuados, por proteção, ou com fome. Nós humanos é que ainda cometemos barbáries com os animais. Nós é que somos, com eles, seus bastardos inglórios, já que ainda maltratamos aqueles que nos servem de alimento. Ainda bem que eles ainda não sabem o que é vingança!

Até a próxima!
 

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Thiago Galvan

Thiago Galvan

Advogado (OAB/RS 64.762) | Especialista em Direito Público e em Direito Penal e Criminologia, ambas pela PUCRS. Diretor Jurídico da ASCORI. Diretor da AGADIE para o Biênio 2020/2022. Membro da Comissão Estadual de Direito Imobiliário. Contato: [email protected]




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