A destruição da família e dos valores

Por: Felipe Sandrin | 25/08/2017 00:00:00

Você ficou sabendo da professora Marcia Friggi? Marcia foi agredida em sala de aula por um aluno. Ato lamentável que me fez lembrar minhas épocas como discente e uma frase bastante repetida por meus pais: “se você desrespeitar um professor, vai levar a maior surra da sua vida”. Frase prática e de fácil absorção. Em minha cabecinha de criança que em nada tinha a contribuir com o mundo, ficava claro meu posicionamento na pirâmide dos poderes: eu estava lá para obedecer. E, claro, obedecia.

Agora o fato que mais me chamou atenção para com essa senhora que foi covardemente agredida: ela era uma defensora assídua das agressões. Sim, acreditem, ela publicou por diversas vezes para que todos seus alunos vissem frases como: “Violência é, sim, um caminho. Temos que partir para a porrada, porque tem muita gente merecendo um olho roxo”. Ora, quem planta vento, colhe tempestade. Essa senhora está a colher o que todos nós brasileiros também estamos. Nos últimos 20 anos, esse país regrediu absurdamente dentro dos valores éticos, por quê? Por que esta regressão de valores?

Quem me acompanha há tempos aqui sabe o quanto já bati nas igrejas e em algumas religiões. Quero me desculpar publicamente com essas pessoas, pois hoje percebo a ruína de uma sociedade que em nada acredita. Torço para que mais e mais templos sejam erguidos, pois toda estruturação das famílias passa pelos elos ditos sagrados. E antes que me acusem de ser um fanático religioso, informo que não tenho religião.

Há um exemplo muito claro hoje de duas das várias frentes em disputa. Nos presídios brasileiros fica mais fácil notar tais diferenças. Suponhamos que um estuprador seja preso. Na cadeia haverá essas duas opções a ele. Abraçar a religião que exaltará seus pecados e lhe dará a penitência para que dali por diante ele viva uma vida na busca de fugir do inferno ao qual se condenou, ou os ditos direitos humanos. Funciona assim: “amigo, você errou, mas você fez isso porque foi oprimido pela sociedade. A culpa de você ter se tornado isso é da falta de oportunidade”. Quem está certo? Qual desses pensamentos tende a diminuir os riscos desse estuprador voltar a cometer crimes? Fica claro para mim que, nesse caso, os ditos direitos humanos devolvem um bandido ainda pior para a sociedade.

Pais, familiares, cuidem de suas crianças, prestem atenção no que alguns professores podem estar passando a elas. Cuidado com esses falsos discursos de pessoas que na verdade disseminam o ódio aos que lhes são contrários. Há uma ruptura clara das estruturas familiares, um esfacelamento dos convívios. Filhos estão aprendendo que seus pais são exploradores e opressores. Crianças estão sendo manipuladas para que pertençam mais ao Estado do que ao grupo familiar, pois a criança de hoje é o adulto zumbi de amanhã.

Pare e pense no declínio da sociedade nos últimos anos, e não estou falando em questões econômicas, estou falando no respeito aos mais velhos, ao pai e a mãe. Pare para pensar no comportamento dos jovens. Agora pense de onde está vindo essa lavagem cerebral. Observe como temas complexos feito o aborto, o posicionamento da mulher na sociedade, a legalização de drogas e as opções sexuais vêm sendo usadas para criar uma polarização violenta. Observe como as pessoas que gritam “queremos dialogar” são as mesmas que fecham vias e impedem trabalhadores de garantirem o seu sustento.

Esta senhora que foi agredida em sala de aula não foi a primeira nem será a última, infelizmente o agressor é apenas mais um dos alunos contaminados por essa violência disfarçada que essa própria mulher ensina.

 


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: [email protected]



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