Quando todos os lados têm razão

Por: Greice Scotton Locatelli | 31/08/2017 00:00:00

A semana foi marcada por polêmicas especialmente na área política. Dois projetos de lei aprovados na sessão ordinária da última segunda-feira, dia 28, dividiram opiniões. Conforme você pode conferir na matéria elaborada pelo SERRANOSSA (clique aqui), as proposições modificaram o Plano de Carreira do Magistério Público Municipal e o Regime Jurídico dos Servidores, estabelecendo que os professores recebam abono pecuniário sobre 30 dias de férias – como acontece com as demais categorias do funcionalismo e com colaboradores que tenham carteira assinada na iniciativa privada – e retirando do texto a determinação do tempo de duração do recesso. Na prática, isso significa que esse recesso deixará de existir no papel, passando a ser definido por ato normativo (ou seja, decisão da prefeitura) junto com o calendário escolar. Na lei anterior, estava previsto recesso de 45 dias, sendo 30 de férias (sobre as quais incide o abono), entretanto o período seria efetivamente maior já que também existe um período extra sem expediente em julho e dezembro.
Segundo a prefeitura, essa mudança foi necessária porque alguns servidores ingressaram na Justiça para que fosse pago o abono também sobre o período de recesso e como alguns ganharam a causa isso poderia abrir precedente e tornar o problema inadministrável em termos financeiros. Ok, a prefeitura tem razão. Embora haja garantia do Poder Executivo de que esse direito vai continuar existindo, a mudança causou uma justificada insegurança no sindicato da categoria, que reclama da possibilidade de perder direitos conquistados pelo magistério ao longo dos anos e da falta de certeza sobre como será feito esse ato normativo, que poderá estar à mercê de interferências políticas. Ok, o sindicato tem razão. Há também a visão dos professores, que obviamente temem perder os dias extras de merecido descanso, afinal quem conhece a rotina de um professor sabe que há muito trabalho além das horas em sala de aula, e dos demais servidores, que consideram injusto a categoria ter mais que 45 dias de descanso contra 30 previstos em lei. Ok, professores têm razão, assim como os demais servidores. 
Não há assunto mais polêmico do que aquele em que todos os lados têm seus motivos e justificativas. Sobretudo quando a situação exige uma solução que, invariavelmente, vai desagradar algum deles.
O que esse episódio deixou transparecer – pelo menos na nossa visão enquanto imprensa – foi que um projeto enviado às pressas, com poucos dias para entendimento e análise dos vereadores, e sem uma conversa com o sindicato que representa a categoria causou uma confusão desnecessária entre os dois poderes (Prefeitura e Câmara de Vereadores), inclusive com ingerência de um sobre o outro no que diz respeito à comunicação e pressão pessoal sobre os vereadores que votaram contra a proposta, amplamente vista nas redes sociais. Aqui no SERRANOSSA, a jornalista Carina Furlanetto fez uma verdadeira imersão no assunto até conseguir entender o projeto e as consequências, benefícios ou prejuízos dele. Não bastasse a complexidade, ainda foi necessário lidar com “erratas erradas” e divergência de informações que só trouxeram ainda mais dificuldade de interpretação. 
Esperamos que nossa cobertura tenha sido direta e simples o suficiente para que você entenda o assunto e possa tirar suas próprias conclusões. Pelo menos é isso que entendemos como bom jornalismo e tentamos praticar. O que esperamos, enquanto meio de comunicação que representa os interesses da população, é que as próximas iniciativas desse tipo tenham mais clareza e menos pressa. Afinal, estamos falando de decisões que afetam vidas.


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Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.




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