Mulheres: aceitem ser estupradas

Por: Felipe Sandrin | 09/08/2017 12:41:47

Mulheres: aceitem ser estupradas. Esse é o recado que o juiz José Eugenio do Amaral Souza Neto deixa claro ao assinar a soltura do homem que decidiu ejacular na passageira de um ônibus em São Paulo: “Entendo que não houve constrangimento tampouco violência ou grave ameaça, pois a vítima estava sentada em um banco de ônibus, quando foi surpreendida pela ejaculação do indiciado”. Sim, eis a justificativa do juiz.

Agora leiam isso.

Data: 2 de setembro de 2017. Vítima: 40 anos. Acusado esfregou o pênis no ombro da mulher e tentou impedi-la de fugir usando a perna. Data: 12 de junho de 2017. Vítima: 20 anos. Encostou o pênis no ombro da mulher. Data: 21 de novembro de 2016. Vítima: 17 anos. Esfregou pênis na adolescente. Data: 25 de novembro de 2014. Vítima: 21 anos. Quis tocar seios e ejaculou em ombro de mulher. Sim, esses e mais 14 casos recaem ao mesmo nome: Diego Ferreira de Novais. Que, claro, está livre, leve e solto.
Questiono você, mulher bento-gonçalvense. Imagine que você está andando próximo da avenida Planalto, um homem a aborda com uma faca. Ele avisa: “se gritar, corto sua garganta”. Ele a cutuca com a faca, ordenando que vá até um terreno baldio, onde você é estuprada. Pergunta: vale a pena denunciar o terror que você viveu? Você acredita que a Justiça intercederá por você? Qual o seu direito como mulher de se defender? Você sabia que é crime portar até mesmo um spray de pimenta?
Desarmaram o cidadão de bem e deixaram os bandidos ditar o ritmo da festa. Onde está a solução da qual se vangloriavam os desarmamentistas? Onde estão os resultados, onde está a dita segurança? Nos últimos 20 anos, a onda de terror alastrou-se pelo Brasil. Desde o estatuto do desarmamento, em 2003, mergulhamos em um inferno de violência jamais visto em nossa história. Puniu-se o cidadão de bem, aquele que queria poder se defender diante de um Estado que nunca o defendeu.
O estuprador tem a Justiça ao seu lado. Os direitos humanos insistem em dizer que a culpa de um estupro recai sobre a falta de amor para com aquele indivíduo, a quem a sociedade negligenciou. Juízes julgam que ejacular em uma mulher é nada mais grave do que jogar lixo no chão. Pergunto: quantos estupradores estão foragidos e em regime semiaberto em Bento Gonçalves, Farroupilha e Caxias do Sul? Desafio alguém a trazer os números REAIS para a população.
Já sei. Vamos fazer campanhas em escolas, algo tipo “Não estupre uma mulher”. É isso que está sendo proposto por essas pessoas que ainda apoiam o desarmamento. “Ah, mas se você estiver nervoso, pode usar a arma para matar alguém inocente”. Ótimo, então vamos proibir os carros de trafegar já que constantemente vemos veículos sendo utilizados em tentativas de homicídio.
Se você estiver em um jantar social e alguém começar a falar na paz dos povos, na reabilitação dos estupradores, sério, saia correndo de lá, fuja enquanto há tempo dessas ideias parasitárias que encontram terreno fértil em mentes coabitadas por unicórnios e remédios de tarja preta.
Neste país, neste Brasil, nada lhe é garantido. O Estado não vai proteger você. Como aconselhou um policial, “O mais sensato num caso de estupro seria a vítima implorar para o estuprador colocar a camisinha”. 
Sinceramente, eu tenho nojo do país que nós construímos, nojo das pessoas covardes que tiraram o direito do cidadão se defender. Tanto nojo quanto devem sentir as mulheres que se lavam e choram diante da sensação de impotência em um país que aceita vê-las humilhadas.


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: [email protected]



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