A vingança dos pseudoartistas

Por: Felipe Sandrin | 15/09/2017 12:20:23

Quando alguém fala as palavras “artista brasileiro”, qual a primeira imagem que vem à sua mente? Luan Santana? Algum ator global? O Galvão Bueno narrando um jogo de seu time? Talvez algum ex-BBB. Pois é, através disso podemos não só ver o nível artístico do Brasil, mas, sim, o nosso próprio nível cultural. 
Saiba que há, sim, ótimos artistas em nosso país, aliás, com certeza você sabe disso, mas possivelmente também não os conheça. Então surge a questão: por que grandes artistas não tendem a ser conhecidos? Ora, porque ser grande requer extrema dedicação, requer domínio sobre muitas complexidades a fim de torná-las simples a ponto de que o grande público possa sentir e contemplar. Só que o brasileiro não está pronto para a contemplação do que requer total dedicação e estudo, o brasileiro é, em sua base, vulgar.  Família e escola se juntam na completa ignorância e, consequentemente, a internet e televisão acabam por se tornar o norteador artístico da criança.
Escrevem palavras como “vagina” em hóstias e chamam de arte moderna, arte indagativa, arte da afrontação. Referem-se à fé como sendo lixo. Tratam Jesus como um macaco e o colocam nos braços de Maria. Não querem que os cristãos se ofendam, os “artistas” se unem em coro e gritam coisas tipo: “Viva a liberdade de expressão”.
Esqueça o Luan Santana, os grandes atores da Globo e o Galvão Bueno. Vamos falar aqui dos artistas frustrados, aqueles que vendem almoço para comprar janta, aqueles que nunca vão ter sua arte contemplada e, como vingança, precisam atacar a sociedade que não reconheceu a grandeza deles.
Usam do dinheiro de impostos e fazem como em Porto Alegre, atacando religiões. Usam do dinheiro de impostos porque sabem que, se cobrassem ingresso, ninguém daria um mísero centavo para ver tamanho “destalento”. 
Em 2015, fomos premiados com a incrível performance de pessoas nuas que andavam em círculos e  tocavam o ânus umas das outras. Tudo feito também com dinheiro público.
E por que jornalistas tendem a apoiar esse conceito de “arte”? Olha, já convivi com muitos jornalistas, inclusive morei com três que estavam se formando em universidades federais. Posso falar com plena convicção que algumas das pessoas mais frustradas que conheci cursavam ou eram jornalistas. O que ocorre muitas vezes nessa profissão é bem notório: eles se julgam artistas porque escrevem, batem fotos, editam e frequentam alguns lugarezinhos modernos, mas, ao mesmo tempo, sentem que as pessoas não os veem como artistas. Aí está feita a mistura explosiva. Nasce o pseudoartista que não é nem artista e nem jornalista, é tipo um crítico que se odeia e tende a apoiar tudo que atinja ofensivamente muitas pessoas.
Não deixem essas pessoas convencerem vocês de que lixo é arte. Arte refere-se ao ser superando-se. É o abranger das capacidades. Colocar um mictório no meio de um museu não requer absolutamente nenhuma habilidade, é, aliás, apenas uma prova da medíocre simbiose entre o pseudoartista e seu acéfalo público. 

 


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: [email protected]



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