Crise, que crise?

Por: Greice Scotton Locatelli | 20/10/2017 13:34:13

Uma das palavras que mais se ouve por aí é “crise”. Indiscutivelmente, vivemos tempos difíceis não apenas em termos econômicos, mas também morais. Mas o que é, em essência, essa tal crise? 

O empresário poderá dizer que a crise é uma redução drástica no consumo que ocasiona uma bola de neve na economia: se as pessoas não compram, as empresas precisam diminuir produção, o que gera um menor lucro e que reduz a necessidade de mão de obra, que por sua vez aumenta o número de pessoas que passam a não mais comprar por falta de dinheiro. 

Para as pessoas comuns, crise pode ser observar os preços ficarem cada dia mais altos nas prateleiras do supermercado e ver o salário acabar mais cedo ao final do mês, apesar de muita pechincha e de corte em itens considerados supérfluos. 

Para o lojista do setor de vestuário e de calçado, por exemplo, crise pode ser definida como uma redução drástica no movimento, visto que a prioridade passa a ser o consumo de itens básicos de alimentação e higiene. 

Para uma entidade beneficente, a crise pode ser sentida na redução de doações ou de ajuda financeira. E por aí vai. 

A definição da crise pode ser diferente para cada pessoa, entretanto, há algo que é inerente a todos: tempos de estabilidade econômica até podem dar a falsa sensação de que a crise é mais branda, mas ela sempre existirá se não houver um mínimo de boa vontade. 

Dia desses ouvi um vendedor de uma loja de móveis planejados admitir que ele e o sócio precisaram reduzir a margem de lucro para permanecerem no mercado. Bem sincero, ele comentou que seria ingratidão reclamar, já que durante os anos de “prosperidade” o que eles ganharam foi mais do que suficiente para se manterem e que agora era preciso adaptação e paciência até que o pior passasse. Mas quantos conseguem ter essa visão de futuro? 

Sabe o que mais me intriga? Estive nesta mesma loja há alguns anos e realmente a única coisa que mudou foi o preço – um pouco mais alto do que há cinco anos, mas mais baixo do que os valores do ano passado. O atendimento segue excelente, a atenção e a preocupação com a experiência do cliente também. E não estou falando de nenhuma loja de grife, bem pelo contrário. 

No vai e vem da conversa, eis que eles indicam um fornecedor diferente do tradicional. A parceria era antiga e bastante conhecida na cidade, por isso a ruptura surpreendeu. Ao serem questionados, dizem que tentaram negociar com a empresa parceira de longa data, mas que não houve margem para tornar os preços mais atrativos para os poucos consumidores que restaram. A solução? Negociar com fornecedores mais flexíveis. Segundo eles, funcionou. O que na empresa “A” custava R$ 2 mil, a empresa “B” consegue fazer por R$ 1,9 mil. 

Dependendo do ponto de vista pode não parecer muito, mas demonstra algo imprescindível nos dias de hoje: vontade de tentar resolver. 

A propósito, entramos em contato com outras três empresas do segmento em busca de orçamentos, via telefone, WhatsApp e e-mail, mais de uma vez. Adivinhe quantos retornos obtivemos? Nenhum. Aposto que os donos dessas empresas andam por aí cabisbaixos, reclamando da crise. E talvez seja justamente o hábito de ficar se queixando que esteja fazendo com que eles não percebam o óbvio: é preciso mais ação e menos reclamação. 

Sempre haverá crise enquanto não houver boa vontade de se adaptar e criatividade para driblar os percalços que aparecerem.


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Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.



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