Os frágeis laços das relações atuais

Por: Felipe Sandrin | 16/03/2018 06:00:38

Você sabe por que a maioria dos relacionamentos de hoje não dão certo? Porque as pessoas estão querendo impressionar sendo o que não são. Seja lá pelo motivo que for: traumas do que deu errado, ideia de que se divertir é mais importante do que ser fiel. Enfim, as pessoas fazem tudo para impressionar – investem em roupas, perfumes e carros, mantêm o corte de cabelo e a barba em dia, investem em máscaras para parecerem melhor do que a “concorrência”. Mas esquecemos que, quando o foco passa a ser a simples disputa, as relações se tornam coisa de mercado, um jogo de trocas. E, no mercado, todos nós sabemos que tudo é produto, tudo tem um preço e tudo é substituível.

Antigamente, mulheres se impressionavam com os ditos caras batalhadores. Ele podia não ter muito, mas as mulheres viam a disposição dele em crescer e encaravam isso como um bom investimento. Hoje em dia, poucas pessoas querem construir algo com alguém: elas gostam de simplesmente chegar e ver o outro já pronto e estruturado. A cada geração perdemos mais daquele valor chamado “construir juntos”. Essa construção criava laços fortes entre casais, nós que se estendiam e entrelaçavam todos os aspectos da vida dessas duas pessoas. Onde estão os laços de hoje em dia? Na música de baladinha que os dois curtem? Nas férias de praia? Na marca de roupa? No sexo e naquela idealização dos primeiros meses de namoro?

As pessoas estão usando máscaras. Os primeiros meses de namoro são incríveis, mas depois de um tempo a garota comenta com as amigas “ele mudou muito”. Não, ele não mudou, ele sempre foi assim, só que para impressionar você tentou ser o que não era, simplesmente vendeu uma ideia melhor do que a concorrência. Resultado: agora que você está conhecendo o verdadeiro eu dele, acha que não é o mesmo, que não é aquele cara perfeitão que você imaginava.

Fica, aqui, uma dica. Sabe o cara que trabalha duro? Que está muitas vezes cansado no sábado? Esse cara que não precisa estar jantando toda sexta-feira em restaurantes caros, que lhe dá dicas para guardar dinheiro, que abre seus horizontes e a apoia para que você tenha projetos? Sabe? Pois é, talvez ele assuste por ser muito realista, talvez você não esteja pronta para esse tipo de cara que prefere ser de verdade a impressionar com as mesmas mentiras que a maioria dos outros caras hoje em dia contam.

Dê valor a esse tipo de pessoa, que se sacrifica para construir algo além da aparência. Acredite, a chance dele realmente dar valor a você é muito maior do que se você novamente escolher um desses carinhas que só quer impressionar, colar você no álbum e sumir sem nem dizer tchau.

Se você quer ser mais do que um número, então comece por você e pare de se deixar impressionar pelas coisas feitas apenas para agradar os olhos.

Vivemos em um mundo de competição acirrada. Na ânsia por ganhar muitas vezes esquecemos qual é nosso verdadeiro objetivo. Onde há pura competição, laços verdadeiros não florescem.
 


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: felipesandrin@hotmail.com



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