2015: O ano dos golpistas

Por: Felipe Sandrin | 12/11/2015 00:00:00

 

Jantar de negócios e o último a chegar é justamente aquele que apresentará a proposta. Carro importado, roupas de grife e um relógio que cobre todo o pulso. Não preciso ouvir muitas frases para saber que é “fria” e que, à minha frente, está apenas um falso rico emergente.
Gente perigosa essa que vive de dar o golpe nos outros. Feito abutres da ganância, espreitam silenciosamente os becos que qualquer um pode frequentar e, logo, qualquer um pode ser vítima. Lembre-se que os abutres da ganância vivem disso, sentem o cheiro de longe e fazem uso das ferramentas certas para pescar o distraído cidadão honesto que está cansado de trabalhar sem ver os rápidos resultados com que sonha.
Talvez tratar o assunto assim tire um pouco da sua seriedade, mas, por ser algo pesado, talvez também seja necessário eu pegar leve e não ser muito direto. Só não esqueça que esse papo é muito sério. Tenho certeza de que, se você parar para pensar, vai ver que conhece pessoas que, neste ano, caíram no golpe de um desses caras que ostentam o que não têm só para levar o que outros lutaram para ter.
Para não cair nessa armadilha, basta entender a matemática do carro importado. Imagine que você, hoje, decida vender tudo que tem, absolutamente tudo. Tenho certeza de que você poderia andar em um carro de R$ 100 mil, 200 mil, não? Então, por que você não faz isso? Simples: sua formação de caráter não permite que você ostente estando devendo na praça. Ainda assim, se você quisesse andar de carrão, poderia. E isso prova que qualquer um pode.
Cai na lábia quem se empolga, quem, na ânsia de ser um milionário, esquece a regra básica de uma sociedade de mercado: sempre consulte o nome de quem quer lhe vender ou comprar algo de você... SEMPRE! Segunda regra básica: se algo é extremamente bom, então, certamente, alguém com um carrão não precisa de você para viabilizar tal projeto. Aliás, quando uma ideia é verdadeiramente boa, é guardada a sete chaves em um cofre de humildade.
Cuidado com sua cobiça e com quem precisa impressionar, pois o impressionismo ganhou vida junto aos primeiros circos, onde se pagava para ver quem se impressionasse. No mundo dos negócios, não é diferente.
Por vezes, rimos de um idoso que cai no conto do bilhete e pensamos: “Que ingênuo”. Mas será que estamos tão longe de sermos nós a próxima vítima dos golpistas?
Neste ano muita gente quebrou, alguns pagaram e outros simplesmente sumiram. Fique atento com quem você dividirá seus planos em 2016. Pense que, por vezes, aquele cara no carro humilde é o que paga as contas, o que honra compromissos e que realmente tratará os sonhos de outros como se fossem os dele próprios.
Para cada golpista, há dezenas de honestos. Mas uma árvore que cai faz muito mais barulho do que uma floresta que cresce.
Você quer um 2016 promissor? Distancie-se das sanguessugas, dos que jogam com seu ego e lhe fisgam através dele. Isole os frutos podres e eles ficarão expostos; ande com eles e se tornará um.
Não precisamos mudar o Brasil, basta apenas controlar nossa vaidade e ganância. Só há os abutres porque há os que seguem a alimentá-los.


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: felipesandrin@hotmail.com




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