Felicidade é humanizar-se

Por: Padre Ezequiel Dal Pozzo | 04/09/2018 10:00:35

O desafio na vida é descobrir que sentido ela tem ou o que significa viver de acordo com a nossa natureza, com a nossa essência. Todos estamos à procura do sentido. Queremos estar felizes. Desempenhar trabalhos e atividades que nos deixem satisfeitos. O sentido da vida para o ser humano está em viver humanamente. Tornar-se aquilo que é por essência. Isso significa perceber a base comum que está ao alcance de todos. Essa base consiste exatamente em nossa humanidade. Um filósofo chamado Humberto Maturana nos diz que o sentido da vida para o ser humano é viver humanamente. É desenvolver aquilo que é sua essência. Podemos dizer que o sentido da borboleta é borboletear, para o gato é gatear, para o cachorro, cachorrear, isto é, ser o que são por natureza. Os animais se desenvolvem naquilo que são por natureza. Para o ser humano, a humanização é uma tarefa. Não nascemos acabados, prontos. A humanização acontecerá na mesma medida do nosso empenho em sermos melhores. Somos uma possibilidade a desabrochar. Depende de cada um, de como assume essa tarefa.

Podemos perceber isso na criança. Ela precisa ser educada, aprender, ser orientada para que se socialize, respeite e seja cidadã. Uma criança sem orientação pode tornar-se um diabinho, com quem ninguém consegue relacionar-se. Ela precisa dos limites que a tornam humana e sociável, agradável e amável. Deixada somente aos seus instintos ela se torna terrível.

Nisso percebemos que o ser humano precisa humanizar-se. A humanização não significa a realização imediata dos desejos. Quero uma coisa e já consigo, tenho este desejo e já o satisfaço. Não, a vida feliz e prazerosa para o ser humano tem a ver com a acolhida da realidade em que se encontra. Nem tudo são rosas. A vida tem espinhos e sofrimentos. Não há somente alegrias e conquistas. Há, sim, lutas e sofrimentos, junto de fracassos e adversidades. Quando eu digo sim à minha realidade, então sou mais feliz. Humanizar-se é perceber os contrários que há na vida e saber lidar com eles, encontrando sentido. A felicidade não está, portanto, ligada somente às situações prazerosas, mas àquilo que conquisto na luta, no empenho, superando desafios. Nisso encontro verdadeira alegria.

A humanização significa também dizer sim à realidade que me envolve. Naturalmente, não aprovando possíveis injustiças e maldades, mas nos sentirmos identificados com aquilo que estamos sendo. Não posso brigar com a minha realidade. Devo acolhê-la e transformá-la no empenho e no amor. Não podemos ter a impressão de que a felicidade está sempre lá fora, do outro lado, em outra situação. Quando penso assim, estou marcado por uma espécie de vazio. Não me satisfaço com aquilo que sou e não estou conseguindo desfrutar da minha realidade. Mesmo que eu tenha tudo, que minhas condições econômicas e de saúde sejam favoráveis, penso que a felicidade está no outro lado. Esse sentimento precisa se acomodar. Preciso manter vivo o desejo de avançar, mas também preciso acolher a realidade que me envolve, ficar satisfeito com ela, desfrutando com intensidade os meus dias. A humanização passa por essa acolhida e essa percepção.
 


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Padre Ezequiel Dal Pozzo

Padre Ezequiel Dal Pozzo

Sacerdote da Diocese de Caxias do Sul (RS), padre Ezequiel é cantor e compositor e lidera o projeto "Despertai para o Amor", de evangelização através da música e dos meios de comunicação. Já lançou seis CDs e um DVD e roda o Brasil com shows musicais, palestras, missas e pregações. Apresenta diariamente a reflexão "Despertai para o Amor" em mais de 250 rádios de 19 Estados do Brasil e o programa semanal "Despertai para o Amor" na TV Evangelizar e na TV Nazaré. É editor da Revista "Despertai para o Amor", de circulação trimestral, e autor do livro "Beber na fonte do amor: como a misericórdia humaniza e traz verdadeira alegria" (Edições Loyola).



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