Por que buscamos tanto o amor?

Por: Padre Ezequiel Dal Pozzo | 16/04/2018 10:00:31

Todos nós buscamos o amor. Desejamos amar e sermos amados. Por que então as pessoas ficam tão feridas pelo amor? Não é possível arrancar em nós o desejo de amar. Ele está arraigado no coração humano. Quando uma pessoa fica enamorada por outra, de alguma forma, ela fica enfeitiçada. Passa a ver a outra pessoa como a mais perfeita. Tudo no outro parece lindo. É a experiência do amor paixão que se manifesta em desejo pela outra pessoa. 

Sem amor a vida seria essencialmente pobre. O ser humano não faz experiência de plenitude sem o amor. Porém, sabemos que a experiência do amor também pode escorrer pelos dedos. Nem tudo é somente reluzente quando falamos de amor. Ele pode provocar ferimentos profundos. O amor traz consigo também doses de verdadeiro sofrimento. Isso, porém, não depõe contra o amor. O que precisamos é cuidar para que o amor não se transforme em caos e dor, ou seja, cuidarmos para que ele dure, fortaleça-se e purifique.  

O amor não deve ser confundido com o sentimento. O sentimento é uma experiência mais superficial, menos comprometida e facilmente passageira. Tenho sentimento por aquela pessoa. Sinto sua presença como agradável e prazerosa. Essa experiência, presente em muitos relacionamentos, se demonstra mais imediata e descomprometida. É o encantamento que pode passar se não se transformar em amor comprometido. O amor é diferente. Quando amo alguém, eu me comprometo com essa pessoa. Quero permanecer com ela. Minha atitude é de entrega e ao mesmo tempo quero que essa pessoa, acima de tudo, seja feliz. Estou comprometido com ela intensamente. Por isso, o amor de enamoramento precisa ser transformado em amor compromisso. Se isso não acontecer, o encantamento passa. 

Essa transformação do amor implica em aceitar a outra pessoa como ela é. Muitas vezes, nós, sobrepomos às outras pessoas as nossas próprias imagens. Ao invés de amarmos a pessoa, amamos a imagem que dela fizemos através de nossa projeção. Não estou vendo a outra pessoa e sim a imagem que eu fiz dela. Essa imagem é construída especialmente no enamoramento. O amor, porém, ama a outra pessoa como ela é, com acertos e erros, com qualidades e defeitos. O amor é mais consciente e realista, e é ele que nos faz transpor obstáculos. A psicologia comprova que em muitos casos a pessoa ama mais a imagem da outra pessoa do que aquilo que ela realmente é.

Amar a outra pessoa como ela é não é fácil. É preciso renunciar a todas as ilusões que fizemos a respeito da outra pessoa. Ainda, amar é acolher a outra pessoa não somente naquilo que ela tem de maravilhoso, mas naquilo que ela tem de pequeno, feio e medíocre. E é exatamente o tempo que vai revelando isso. O amor de encantamento tende a não perceber isso. O amor não é felicidade sem fim e não existe amor sem sofrimento. Contudo, o amor acolhe a outra pessoa em toda a sua realidade. 

O amor pode ferir, mas também é o melhor remédio de cura. Ele não é uma alegria eterna, imune ao sofrimento. Porém, somente ele pode abrir caminho para uma verdadeira e duradoura felicidade.
 


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Padre Ezequiel Dal Pozzo

Padre Ezequiel Dal Pozzo

Sacerdote da Diocese de Caxias do Sul (RS), padre Ezequiel é cantor e compositor e lidera o projeto "Despertai para o Amor", de evangelização através da música e dos meios de comunicação. Já lançou seis CDs e um DVD e roda o Brasil com shows musicais, palestras, missas e pregações. Apresenta diariamente a reflexão "Despertai para o Amor" em mais de 250 rádios de 19 Estados do Brasil e o programa semanal "Despertai para o Amor" na TV Evangelizar e na TV Nazaré. É editor da Revista "Despertai para o Amor", de circulação trimestral, e autor do livro "Beber na fonte do amor: como a misericórdia humaniza e traz verdadeira alegria" (Edições Loyola).



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