Eu votei no Lula

Por: Felipe Sandrin | 03/11/2016 00:00:00

Sim, eu fui um dos que acreditou no Lula. Lembro que aquele senhor de barba atraía a ideia do libertador, do humilde justo. Eu votei no Lula, pois naquela época personificava nele a esperança. Hoje, entretando, percebo que era minha pura ignorância.
Muitos me questionam: “então todos os que apoiam Lula são ignorantes?” A meu ver, sim. Ou é ignorante ou, pior, sem caráter. Assusta-me o fato de muitas pessoas da imprensa tratarem a fase atual de nossa política como perseguição. O que me assusta não são as opiniões, mas notar que a maioria das pessoas que ocupam espaços de mídia não possuem o mínimo de estrutura filosófica e histórica para emitir opiniões.
Fui convidado por uma rádio para falar do cenário atual da política brasileira. Declarei que eu não era o mais indicado, mas eles insistiram e aceitei o convite. Um dia antes do programa, o apresentador veio conversar comigo para criarmos uma base desse diálogo. Fiquei assustado ao ponto de ser totalmente sincero. “Desculpe, não posso comparecer a um programa em que o apresentador, um formador de opinião, não possui estrutura alguma de conhecimento”.
Não acredito que a natureza humana seja regida pela bondade, pois em dez mil anos já tivemos amostras suficientes de que, quando o desespero bate, o homem é o lobo do homem, o homem destrói o homem. Quem acredita que o ser humano nasce bom? O pai da esquerda, o filósofo Rousseau, defendia que quem estraga o ser humano é a sociedade, portanto, quem deve governar são os pobres, pois não foram corrompidos pela ganância.
Eis a base ideológica de quem ainda apoia Lula: uma ignorância transvestida no fato de que pobreza é a qualidade dos bons. Por isso, o PT deixou de ser um partido: hoje é uma seita, uma facção. A doença é tanta que não permite imparcialidade. Se você não venera o “Deus Lula”, então você venera o “Deus Aécio”. Percebem? É uma falha tão grande no caráter que quem defende o PT não consegue compreender o fato de alguém querer justiça sem escolher lados.
O que temos presenciado nos últimos dias evidencia como chegamos ao cenário atual desse país. Lula tornou-se, para muitos, maior que o próprio Brasil. A bandeira vermelha do PT tornou-se a bandeira oficial do país. O que os petistas sempre disseram: “Se não está feliz, vá embora”, agora ganha total sentido. Eles nos queriam longe, expulsos da terra que elegeram como sendo deles. Não há argumentos que possam ser usados, pois, para a esmagadora maioria desses ignorantes, não importa o que Lula fez, nem se é culpado. O que importa é o pacto de sangue, a oração consagrada: “Amai o PT sobre todas as coisas”.
Este Brasil já havia visto muita coisa, mas, pela primeira vez, alguns “brasileiros” escolheram ficar ao lado dos bandidos. O homem dito do povo, que fingiu partilhar o pão dos pobres, hoje mostra que era mesmo das elites, o amigo número um dos poderosos donos de construtoras.
Lula é filho da ignorância, da falta de investimento no ensino. Lula é filho de governanças não petistas. Este Brasil erguido sem bases éticas, sem respeito e real dignidade pariu esse monstro chamado Luiz Inácio Lula da Silva.
Já não se trata mais sobre discutir política, pois a pátria dos que defendem os crimes do PT não se chama Brasil. Parabéns, políticos brasileiros do passado e do presente. Vocês conseguiram! A ganância cega de vocês deu asas ao demônio, e pior, revelou milhões de brasileiros que podem ser tão desprezíveis quanto aqueles que os representam.

 


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: felipesandrin@hotmail.com




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