Nunca a imprensa esteve tão em baixa

Por: Felipe Sandrin | 15/06/2018 06:00:41

Nesta semana o “americano egocêntrico” e o “coreano maluco” se encontraram para assinar acordos e apertar as mãos. Os principais noticiários do Brasil fizeram questão de ressaltar que “isso não quer dizer nada”. São as mesmas pessoas que, antes da eleição americana, proclamavam que Trump significava a destruição da paz mundial. Como se o mundo estivesse em plena paz. É claro que esses mesmos jornalistas não destacam os ótimos números econômicos dos Estados Unidos e a queda brusca no índice de desemprego no país. Por essas e outras a população se volta cada vez mais contra a grande imprensa.

Já contei que dividi apartamento com três futuros jornalistas? Galera gente boa pra caramba, mas com claros desvios comportamentais quando o assunto era sensatez. Era como estar próximo de três pessoas prontas a salvar o mundo. Muito me impressiona como esse pessoal gosta de citar os elementos que levariam a uma igualdade mundial. Todos eles parecem aprender em suas faculdades sobre a receita de um mundo pacífico e próspero. Acho que também já falei sobre sempre desconfiar de quem fica falando sobre esse lance de igualdade, né? Faça um teste aí: quando alguém começar a falar sobre isso – oportunidades iguais ou  diminuir a distância de ricos para pobres –, peça se ela está disposta a doar parte de tudo que tem, tipo uns 80%, para os menos afortunados. O primeiro sintoma que aponta um falso igualitarista é que ele sempre espera que o mundo se resolva em esferas que não envolvam seus próprios bens.

Não é difícil entender o porquê de a grande imprensa brasileira estar passando tanta vergonha nos últimos meses: previsões políticas totalmente equivocadas, falta de imparcialidade descarada, pesquisas apontando posicionamentos de uma população totalmente discordante dos meios jornalísticos. As pessoas estão aprendendo a desconfiar de tudo que os tais “analistas da tv” divulgam. Afinal, onde se formaram essas pessoas? Que professores comunistas corrigiram suas provas e deram um dez para aqueles trabalhos utópicos que se espelhavam em pensadores como Marx e Rousseau?

Acho interessante ver como o mundo real se desenha nos seus próprios traços apesar das poderosas interferências midiáticas. A cara de desespero nos programas jornalísticos já vale o esforço de ficar dez minutos em frente à televisão. Meu programa preferido tem sido o “Fantástico”, aos domingos, um programa que beira o humor mais ridículo que a televisão brasileira já teve. Qualquer pessoa com uma mínima noção consegue perceber as desesperadas matérias que o programa apresenta e a ideia que eles têm do seu público. É nada mais do que um programa feito para as camadas mais ignorantes da população.

Aparentemente vivemos em uma era rápida, em que tudo que se aprisiona parece estar a alguns segundos de novamente se libertar. Os controles que estavam sempre posicionados sobre a mesinha de centro, ao alcance de poucos, hoje parecem estar perdidos em algum lugar de uma sala imensa que não pode ser totalmente mapeada. Ou seja: o poder controlador da informação agora se perde no espaço, já que qualquer um pode gerar informação. Celulares editam vídeos mais rápidos que os hábeis editores de cultuados programas. Crianças filmam o que em breve será visto por milhões de pessoas. E assim vemos as engrenagens que ditavam a informação parando e causando a parada das próximas, em uma sucessão de desencaixes desesperadores para os mesmos.

Quem já esteve próximo de ser demitido sabe do que eu estou falando. Deve ser desesperador ver tantas pessoas acordando para as mentiras que, por tantos anos, foram usadas para nos dominar.
 


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: felipesandrin@hotmail.com



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