Para quem só acreditava vendo

Por: Greice Scotton Locatelli | 20/07/2018 06:00:04

Há algum tempo, eu anunciei que estava ansiosa para morder a minha própria língua em relação à construção de um novo presídio masculino em Bento Gonçalves. Esta semana foi a primeira etapa desse processo – admito, prazeroso. Eu estive na obra, com direito a capacete, bota de borracha e muito, mas muito barro. E sim, está acontecendo de verdade.

Como alguém que só acredita vendo, fiquei muito feliz em ter certeza de que esse projeto realmente está saindo do papel, finalmente. A minha desconfiança tem razão de ser: você, leitor, não tem noção (talvez nem eu mesma tenha como precisar com exatidão) de quantas promessas que ficaram só na vontade eu noticiei ao longo da minha carreira.

Embora esse tipo de cálculo não faça muito bem para a autoestima – faz a gente lembrar que está envelhecendo rápido – preciso admitir que nesses quase 20 anos trabalhando como jornalista acreditei na mesma proporção que me decepcionei que uma nova penitenciária seria construída. Mas dessa vez parece mesmo para valer.

Mas há motivos para comemorar que vão além da obra ter começado – afinal, os mais céticos poderão argumentar que ela ainda não acabou. A construção segue em ritmo acelerado, organizada, bem planejada. E isso é um grande alento. Traz segurança e confiança que vai até o final.

Já passou da hora de a penitenciária sair do centro da cidade. Quem viu uma rebelião de perto sabe do que estou falando e do tamanho do medo que esse tipo de coisa pode causar. Eu acompanhei pelo menos duas bem sérias, mas insignificantes se comparadas àquela de 1997, que resultou em sete detentos mortos após um incêndio e que acendeu o alerta para a necessidade de afastar o presídio de regiões centrais. Nesse processo de conhecer a obra, pude ouvir do agora secretário de Segurança, tenente-coronel José Paulo Iahnke Marinho, o quão assustador foi agir em não apenas uma, mas em sete situações desse tipo enquanto ativo na Brigada Militar. Detalhe: em 1997 a cadeia tinha capacidade para 60 presos e abrigava 80. Imagine quanto a situação se agravou: hoje a capacidade é para 96 e há 313! Não é à toa que, há muito tempo, o presídio estadual de Bento Gonçalves é chamado de bomba-relógio.

Se tudo der certo e em janeiro do próximo ano eu puder, como jornalista, acompanhar a inauguração oficial da obra, serão dois milagres presenciados em pouco mais de um ano: o novo presídio e a rotatória da Telasul. Já confessei e reafirmo: eu tinha minhas dúvidas quanto à realização dos dois, mas faço questão de “morder a minha língua” depois de tantos anos de espera.

Quando a vontade política encontra soluções que não costumam ser comuns no serviço público, as coisas podem realmente funcionar, como foi o caso do novo presídio. 

Boa leitura e um brinde às obras que finalmente saíram do papel!
 


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Greice Scotton Locatelli

Greice Scotton Locatelli

 



Editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010, é formada em Comunicação Social - Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, e tem na Língua Portuguesa e na Fotografia duas de suas maiores paixões.



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