Vamos aplaudir a polícia

Por: Felipe Sandrin | 09/08/2016 00:00:00

Nunca vi em todos esses anos um desfile de 7 de Setembro no qual as polícias fossem a atração principal. Os tímidos aplausos que até então presenciava se faziam mais por uma questão de educação do que por admiração. Porém, isso mudou neste ano na maioria das cidades brasileiras. Em Brasília, foi uníssono o clamor da população mediante o desfile da Polícia Federal. Em tantas outras cidades policiais civis e militares – mesmo os que apenas faziam a segurança dos eventos – foram homenageados com aplausos e palavras de apoio.
Na semana passada, passei por um desses protestos realizados por crianças de 20 anos que se acham revolucionárias por colocarem um paninho na cara e espernearem musiquinhas do tipo: “Não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da Polícia Militar”. Pude observar pacientemente quem estava lá frequentando tal movimento e ali tive mais convicção ainda de que a polícia se faz hoje ainda mais necessária, ela é o bastião que nos separa desses boçais frustrados movidos apenas por inveja e a desculpa de que se importam com o direito dos menos favorecidos.
Se a farda por muito tempo carregou a culpa e foi relacionada à violência e à corrupção, hoje a população novamente começa a abraçar as corporações e admirá-las. Ao contrário do que vivemos na ditadura, hoje podemos ser agentes da verdade filmada, fotografada e divulgada. Não precisamos mais dos veículos de comunicação para isso, não somos mais levados por relatos de falsas vítimas. Hoje portamos um celular que fotografa e filma, que grava e retransmite de imediato para o mundo todo o que realmente acontece. Cito o caso ocorrido em Caxias do Sul, onde um advogado agride claramente um policial começando toda confusão para a qual até então se apresentava como vítima.
Um dos fatores que torna tão positiva a queda de Dilma é justamente o fato de podermos identificar as pessoas que a apoiavam. A violência das manifestações, os cânticos desses que escondem o rosto e mesmo daquelas mulheres que, em São Paulo, usaram seus filhos como escudos humanos contra a polícia, mostram claramente a face de quem por muito tempo se disse vítima nesse país. Eu falo isso como um dos enganados nessa história, alguém que, quando jovem, acreditou que policiais eram bandidos e mascarados na rua eram os heróis revolucionários que lutavam por mim.
Há uma ruptura clara e imparável para os socialistas, a exemplo do que já ocorreu nos países mais desenvolvidos. O espírito de comunidade que emana das indústrias pesadas começa a se dissolver agora também na América Latina. O que sobra para tais atos do tipo “quebra tudo” são moleques com 20 anos guiados por professores de 60 anos criados junto à árvore das comunidades oriundas do trabalho pesado em firmas. O colapso é eminente e se evidencia ainda mais diante do clamor público para que a polícia use força contra os grupos terroristas que vão para as ruas com o único propósito de tumultuar e atrapalhar o cotidiano dos cidadãos de bem. 
Por isso, é essencial à criação de empregos no Brasil. É preciso dar oportunidade aos mais de 11 milhões de desempregados, precisamos separar o joio do trigo. No momento em que todos tiverem acesso a trabalho, poderemos ver com ainda mais nitidez aqueles que vão às ruas desesperados pelo simples fato de buscarem o direito de se sustentarem e aqueles que vão as ruas pela violência, por não suportarem a própria imagem no espelho, por saberem lá no fundo que são nada mais do que hipócritas usando de combustível para a baderna a simples canalhice, canalhice essa que corre nas veias de todo adolescente mimado disposto a mudar o mundo, mas que ao fim não arruma nem o próprio quarto.

 


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: [email protected]



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