Você entende por que a grande mídia está desesperada?

Por: Felipe Sandrin | 31/08/2018 06:00:30

Quando falamos “a Globo está desesperada” imaginamos um desespero dos altos executivos donos da emissora e de seus bilhões, mas de fato a camada que mais reflete tal desespero não é a que abrange o topo da pirâmide, mas as camadas de baixo: o desespero está nos jornalistas, nos atores e diretores, o desespero está naqueles que você vê na telinha todos os dias.

Imagine-se na seguinte situação: você trabalha em uma empresa que lhe traz segurança quanto a seu emprego, essa empresa tem um grande, um enorme cliente, e o dinheiro desse cliente tão especial garante que essa empresa para a qual você trabalha continue no topo e a garantir o seu belo salário todo mês. Agora pense no seguinte, imagine que esse cliente está prestes a deixar sua empresa.

A Editora Abril no início desse mês anunciou a demissão de 700 funcionários. A RBS vem enxugando sua folha ano após ano. Ao que se devem tantas demissões? Falta de grana, óbvio. Até 2010 grande parte da renda das maiores mídias vinha de anunciantes, com o estrondoso crescimento das redes sociais muitas empresas deixaram de investir pesado no único meio até então de comunicação: a TV. Agora vem o golpe derradeiro para você entender esse desespero todo: para você ter uma ideia, nos 12 anos de governo do PT, a Rede Globo recebeu, pasmem, 6,2 bilhões de reais. Se vocês acham que estou inventando esse número basta consultar o portal da transparência. A RBS (filiada da Rede Globo no Rio Grande do Sul e Santa Catarina) recebeu sozinha 63 milhões de reais.

Sim, acredite, o governo entregou 6,2 bilhões do nosso dinheiro a uma única emissora. Agora imagine o seguinte: se a publicidade rende infinitamente menos do que rendia e se o principal financiador do maior veículo de mídia do Brasil é o governo, pense no que ocorreria se um futuro presidente prometesse diminuir tais verbas.

Entende agora o medo desses jornalistas? O medo desses atores e atrizes que apoiam agendas governamentais? A carrocinha passa, mas os cães não latem. É por isso que as oposições artísticas são tão superficiais. É por isso que os ditos intelectuais têm tanto medo dos cortes que um governo possa dar nessas verbas de publicidade. O mesmo ocorre com as grandes editoras do país, sim, aquelas que imprimem os livros. O maior cliente de muitas dessas editoras é o governo que compra e redistribui esses livros nas escolas públicas e universidades.

Acorde, amigo, essa é a máquina de manipulação que eles não podem deixar que percebamos. Professores em universidades públicas ensinam positivamente sobre o controle e poder do Estado, pois se o Estado falir eles vão ser os primeiros a irem para o buraco junto. Artistas e jornalistas das grandes mídias defendem suas pautas com base no medo de perderem seus empregos caso o dinheiro público os abandone.

Nosso país está de joelhos por conta do peso das tetas as quais manipuladores criaram e nós nos acostumamos a abastecer. Chega de mamar no governo. Chega de crescer a máquina pública. Está na hora de desmamar os sanguessugas que sorriem na TV e que vendem mentiras como se fossem informações. 


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: [email protected]



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