O discurso é paz e amor, mas se não concordar rola até facada

Por: Felipe Sandrin | 14/09/2018 06:40:00

O discurso era bonito: “Vamos dar voz às minorias. Vamos acabar com a desigualdade social. Vamos focar na educação”. Mas a prática mostrou que de nada valem as palavras quando as bocas que as pronunciam são as das pessoas mais podres do país.

Escondidos atrás dos discursos da oportunidade estão esses que buscam a dita igualdade. Querem sim igualar os brasileiros: na total miséria. Assim fizeram nossos vizinhos que tanto falavam de igualdade... Pergunte a seu amigo que defende o socialismo sobre como estão os venezuelanos e veja como este se esquiva.

De fato, para algo essa eleição está servindo: nunca antes havia sido tão fácil fazer uma diagnose dos fracassados deste país. Os discursos são sempre os mesmos, as desculpas são aquelas que tanto já cansamos de ouvir: E de fato cansamos. Há uma onda conservadora prestes a limpar o lixo acumulado na praia. Há finalmente um movimento organizado no Brasil prestes a eleger um presidente sem o discurso populista que tanto encanta a legião dos enfadonhos improdutivos.

Tremem as bases dos que se achavam indestrutíveis. Reitores de universidades, professores doutrinadores, pessoas que se declaram a favor da apropriação por força de propriedades privadas. O desespero é gigantesco. Eles gritam: ‘fascistas, preconceituosos’, mas ninguém mais escuta. Os débeis se isolam naquele mundinho particular onde uma bandeira reina anunciando os indisfarçavelmente fracassados.

Em um país tão frágil intelectualmente é até surpreendente que o núcleo dos “artistas lacradores’” tenha perdido o crédito tão rápido. E a mídia doutrinada? Não sabe para onde correr. Na ânsia pela sobrevivência as máscaras caem ainda mais rápido.

E, segundo eles, o problema do Brasil é você, que acorda cedo, que batalha forte todo o dia. Você, o trabalhador, a pessoa que gera empregos. Pois é: segundo eles, o problema é você, seu capitalismo, sua vontade de ganhar dinheiro.

A receita até estava dando certo, mas claramente exageraram na dose. O vitimismo que comovia encheu o saco. A igualdade que era sensata se tornou disfarce para as sanguessugas agirem. Agora eles assistem a um Brasil que se une contra a antiga política que nos dominou nas duas últimas décadas. Finalmente acordamos da fictícia realidade desses covardes disfarçados de bons-moços.

Porque sempre foi assim. Se surge alguém com ideias diferentes, esse alguém é isolado, ele não aparecerá na telinha da TV, ele não palestrará nas universidades e caso ainda assim ele consiga alguma atenção aí basta esfaqueá-lo a proclamar-se louco.

Não. Nunca foi produto a loucura, a violência desses que pregam paz e amor. Faz parte da cartilha imoral que seguem. Fingem-se de bons-moços, dão discursos lindos, mas, se você ousa discordar, eles não pensam duas vezes antes de tentar destruí-lo.

Mas a hora de vocês também chegou. A máscara desliza pela face azeitada dessa hipocrisia sebosa que agora por fim nos permite ver quem morava por de baixo dos lindos discursos.

Palavras doces em bocas pobres. Finalmente os brasileiros começam a sentir o cheiro das verdadeiras intenções dessas pessoas. Paz e amor? Era apenas um disfarce.


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Felipe Sandrin

Felipe Sandrin

 



Músico e escritor, é colunista do SERRANOSSA desde 2006. Tem três livros lançados: Amor Imortal (2008), Eu vi a rua envelhecer – coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA (2015) e Sempre Haverá Junho (2017), além dos álbuns Lados Separados (2011) e Adeus Astronautas (2016), com canções próprias. Contato: felipesandrin@hotmail.com



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