Doações dos Estados Unidos para vítimas das enchentes de 2024 eram vendidas em brechós de Caxias do Sul

Seis pessoas foram denunciadas pelo MPRS por desvio de doações destinadas às vítimas das enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul

Doações dos Estados Unidos para vítimas das enchentes de 2024 eram vendidas em brechós de Caxias do Sul.
Canalhas! Foto: MPRS

Caxias do Sul (RS) – O MPRS denunciou seis pessoas por envolvimento no desvio de doações destinadas às vítimas das enchentes de 2024. Entre os donativos estavam roupas e outros produtos enviados dos Estados Unidos, que deveriam ter sido distribuídos às famílias atingidas pela tragédia climática.

Seis pessoas denunciadas por desvio de doações

A denúncia foi apresentada nesta quarta-feira, 4 de novembro, pelo promotor Manoel Figueiredo Antunes, do GAECO – Serra. Os seis investigados foram denunciados por organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro, em oito fatos delituosos.

A investigação começou após informações encaminhadas ao Consulado-Geral do Brasil em Miami apontarem a venda de roupas doadas às vítimas das enchentes em brechós da Serra Gaúcha.

Contêineres dos EUA e produtos de empresas brasileiras

Contêineres inteiros de doações enviadas dos Estados Unidos teriam sido desviados. Além disso, produtos doados por empresas brasileiras, como a Tramontina e a Cadence, também teriam sido alvo do esquema.

O SERRANOSSA apurou que produtos da marca Kirkland, comercializados exclusivamente pela rede Costco nos Estados Unidos e cuja revenda por terceiros é proibida, foram encontrados à venda em brechós de Caxias do Sul.

Operação Ascaris

Deflagrada em dezembro de 2025, a Operação Ascaris identificou indícios de um grupo organizado para desviar, armazenar e comercializar donativos. Durante as buscas, foram encontradas dezenas de caixas com roupas, calçados, fraldas, medicamentos, eletrodomésticos e produtos de higiene destinados às vítimas das enchentes.

A investigação também apontou o desvio de vouchers de combustível destinados às ações de assistência. Além disso, identificou o uso de contas bancárias e bens em nome de terceiros para ocultar os valores obtidos com as vendas.

Doações recuperadas e bens bloqueados

Após autorização judicial, os donativos recuperados foram destinados a entidades assistenciais, creches e abrigos de Caxias do Sul, São Marcos e Boa Vista do Sul.

Além disso, veículos e imóveis foram bloqueados judicialmente, assim como contas bancárias, para buscar o ressarcimento dos prejuízos causados pelo esquema.

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