Enoturismo: rótulos carregados de histórias

Mais do que oferecer bons vinhos e espumantes, as vinícolas de Bento e região estão contando histórias. E elas não são poucas. A press dos vinhos, que nos levou a uma imersão nas vinícolas Aurora, Cave Geisse, Dal Pizzol, Don Giovanni, Miolo e Peterlongo, mostrou que cada garrafa vem cheia de memórias marcantes. 

Na Don Giovanni, por exemplo, o espumante Dona Bita faz uma homenagem à fundadora da vinícola, Beatriz Dreher Giovannini, cujo apelido carinhoso dá nome ao rótulo. Ao celebrar seus 70 anos, ela foi presenteada com o lançamento do espumante, elaborado a partir da união das variedades Chardonnay e Pinot Noir, pelo método tradicional, com fermentação na própria garrafa e 70 meses de maturação. Outro rótulo que chama atenção é o Vinho Cuvée, que só é produzido em safras especiais. “Ele leva o nome de segundo acto, em referência à Ópera Don Giovanni, de Mozart”, explica Daniel Panizzi, diretor comercial da vinícola.

Vinho mais  antigo do Brasil

Na Dal Pizzol, o que não falta são histórias. O Ecomuseu da Cultura do Vinho abriga objetos, fotos, documentos e mais de 230 garrafas nacionais e estrangeiras, produzidos na África do Sul, Argélia, Armênia, Bolívia, Canadá, China, Japão e Coreia. Na sala de exposições está a garrafa de vinho brasileiro mais antigo, de 1937, período em que não havia rótulos. Garrafões empalhados, uma coleção de saca-rolhas, ânforas de origem italiana, entre outros, também podem ser observados. Outra preciosidade encontrada no Ecomuseu, em especial aos amantes da uva e do vinho, é uma das três maiores coleções privadas de uvas do planeta e a maior da América Latina, com cerca de 400 variedades. Ao lado, também podem conhecer uma réplica do primeiro vinhedo construído pelos imigrantes, a partir de 1875, todo em madeira e sem fios de arame.

Espumante para rainha 
A centenária Peterlongo coleciona histórias incríveis. Uma delas data de 1930, quando o então presidente do Brasil, Getúlio Vargas, encomendou um lote de champagne brut para oferecer a rainha Elizabeth II, do Reino Unido, em sua visita ao país. Cerca de 10 anos depois, durante a Segunda Guerra, a Peterlongo conseguiu fechar um contrato de exportação para os Estados Unidos. A bebida era usada em batismos de aviões e navios de guerra, entre outras formas. Na vinícola, ainda é possível ver de perto alguns rótulos históricos, em um túnel, fechado a “sete chaves”, no porão da vinícola

Foto: Vicente Silveira
 

Louco chileno

Na Cave Geisse, a história que mais chama atenção é a de como a vinícola começou. O fundador, o enólogo chileno Mário Geisse, impressionou-se com a qualidade do solo em Pinto Bandeira e do potencial que tinha para produzir espumantes excepcionais, e começou buscar terras para comprar. Em suas caminhadas pela região, começou a ser chamado pelos moradores de “louco chileno”. Na época, para adquirir o terreno que ele queria, Geisse comprou dois caminhões para presentear os filhos do dono da área desejada. “O sonho de todo adolescente naquela época era ser caminhoneiro. Foi comprando os veículos para o filho do morador, que meu pai conseguiu comprar esta área onde hoje temos a vinícola”, conta o enólogo Daniel Geisse, o filho do fundador.

A história  do Lote 43
Na Vinícola Miolo, um dos vinhos mais imponentes e famosos da casa é o Miolo Lote 43. O nome não é por acaso: Giuseppe Miolo, viticultor da região de Vêneto/Piombino Dese – Padova, veio para o Brasil em 1897 junto com uma leva de imigrantes italianos que se estabeleceram na Serra Gaúcha. Aqui adquiriu um lote de terra de 24 hectares, que trazia em sua escritura o número da parcela denominada Lote 43. Esse lote serviu de sustento para a família por várias gerações e contribuiu para a elaboração dos primeiros vinhos finos brasileiros. “Em 1999, a família decidiu prestar uma homenagem ao patriarca e elaborou seu primeiro vinho ícone com uvas Merlot/Cabernet, que ganhou o nome Miolo Lote 43. Assim, os primeiros dois Lotes 43, safras 1999 e 2002, ainda foram elaborados com vinhedos de latada, plantados na década de 70”, conta o diretor da Vinícola, Antônio Miolo. Desde então, os vinhedos antigos foram arrancados e substituídos por mais modernos e hoje conta com 19 hectares plantados com as variedades Merlot e Cabernet Sauvignon. O Miolo Lote 43 é elaborado somente em vindimas excepcionais.

 

Sangue de Boi


Quem nunca bebeu um copo de Sangue de Boi da Vinícola Aurora, o mais tradicional vinho de garrafão feito no Brasil, que atire a primeira taça. A marca Sangue de Boi está no mercado há quase 60 anos e é a líder de vendas da história da Aurora. Popular e acessível, o Sangue de Boi sempre foi o vinho da aproximação, responsável por trazer ao mundo dos vinhos algumas dezenas de milhares de consumidores até então adeptos de outras bebidas. Os vinhos Sangue de Boi são elaborados dentro de altos padrões de controle de qualidade da Aurora.

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