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“Era uma pessoa extremamente amável”, afirma chanceler do bispado sobre Papa Bento XVI

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Padre Eleandro Teles faz um relato sobre a contribuição e o legado que Bento XVI deixou para a Igreja

Foto: Vaticano News/Divulgação

Sem ir ao hospital, como assim desejou, aos 95 anos, o Papa emérito Bento XVI morreu, no Mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano, no dia 31/12/2022, após ter uma piora no quadro de sua saúde, que já estava debilitada nos últimos anos, mas principalmente após o Natal, com uma gripe que teria se transformado em um problema respiratório.

O velório de Bento XVI ocorreu na segunda-feira, 02/01, na Basílica de São Pedro. O funeral, presidido pelo Papa Francisco, foi realizado na última quinta-feira, 05/01, na Praça de São Pedro.

O chanceler do bispado e estudioso da teologia de Bento XVI, padre Eleandro Teles, comentou pontos que considera relevante acerca do pensamento do Papa Bento XVI, assim como sua contribuição para a igreja enquanto papa e teólogo.

Teles destaca que Joseph Ratzinger, nome do Papa Bento XVI, está entre os maiores teólogos do século XX e início do século XXI, destacando-se no cenário mundial. Além disso, por 25 anos, foi professor de teologia.  “Desde muito jovem, logo depois de formar-se em teologia e filosofia e como padre jovem, recém-ordenado, iniciou sua carreira como professor universitário na Alemanha”, afirma.

A participação ativa do Papa Bento XVI no Concílio Vaticano II, considerado o maior evento eclesial ocorrido no século XX, também é outro ponto de grande significado, segundo Teles. “Ele foi o último papa que participou ativamente, não como bispo, portanto, não teve voz ativa, nem voto, mas participou como teólogo perito e contribuiu. Alguns pontos de seu pensamento teólogo influenciaram os documentos do Vaticano II”, ressalta.

Diálogo entre fé e razão

De acordo com Teles, em sua trajetória, Bento XVI também salientou a necessidade do diálogo entre fé e razão. “Ratzinger trabalhou muito nessa linha. Escreveu diversas obras sobre este tema. Para ele, os conteúdos da fé são acessíveis à razão humana. Isso é um traço característico da religião cristã”, aponta.

Além disso, mais um ponto de destaque de toda ação pastoral de Bento XVI na igreja é em relação à necessidade do conhecimento da verdade. “Ele coloca na sua primeira encíclica como papa, que o cristianismo é a experiência de um encontro com Jesus Cristo, que é a verdade. Ratzinger, como bispo, adotou este lema, que foi o fio condutor de toda sua vida e obra. Ele buscou ser um cooperador da verdade, que para ele é a pessoa de Jesus Cristo”, afirma.

Encíclicas de Bento XVI

O chanceler do bispado também menciona que o papa Bento XVI escreveu algumas encíclicas. Três foram assinadas por ele, enquanto a quarta foi compartilhada com o Papa Francisco, já que ocorreu no período em que renunciou ao pontificado.

A primeira encíclica é com o tema “Deus é amor”, onde explica o que é o amor na visão cristã. Na segunda, “Salvos na esperança”, trata sobre o objeto da fé, tanto na vida presente quanto na eternidade. Na terceira encíclica, Bento XVI fala sobre “A caridade na verdade”, dando viés social ao tema do amor cristão, da solidariedade e da justiça.

A quarta e última encíclica, Bento XVI iniciou antes de renunciar ao pontificado, mas foi finalizada pelas mãos do Papa Francisco, com a temática “A luz da fé”, de acordo com Teles.

Pontificado marcado por polêmicas

O pontificado de Bento XVI também foi marcado por grandes polêmicas, envolvendo casos de abusos sexuais de menores por parte de membros do clero. “O Papa Bento expôs tudo de forma muito transparente, deu conhecimento público aos problemas internos da igreja”, afirma.

Outro problema que precisou enfrentar foi em relação às finanças da igreja, da necessidade de maior transparência do banco do Vaticano. “São questões que lhe causaram desgaste muito grande, também diante da opinião pública, pois a grande mídia criticou duramente a igreja sobre estes pontos, mas ele lidou com muita firmeza e iniciou uma grande reforma interna e administrativa, que está sendo levada a cabo pelo seu sucessor, o Papa Francisco”, destaca.

Vida dedicada ao anúncio da palavra de Deus

Por fim, Teles acrescenta que Bento XVI era uma pessoa conhecida pela sua timidez, mas também pela sua amabilidade. “Ele era uma pessoa extremamente amável, gentil com todos. Dedicou toda sua vida ao anúncio da palavra de Jesus Cristo como caminho, verdade e vida. Este é o grande legado do Papa Bento XVI para a Igreja Católica”, finaliza.