ERS-466: definido traçado de acesso ao futuro Aeroporto da Serra Gaúcha

ERS-466 fará a ligação entre a Rota do Sol, o futuro aeroporto, Gramado e Canela

ERS-466: definido traçado de acesso ao futuro Aeroporto da Serra Gaúcha.
A ERS-466 tem custo estimado de R$ 288 milhões. Imagens: Daer

Caxias do Sul (RS) – O acesso ao futuro Aeroporto da Serra Gaúcha, em Caxias do Sul, por meio da nova ERS-466, teve seu traçado definido após um estudo de viabilidade. A alternativa escolhida prevê uma ligação pela Estrada do Juá, com investimento estimado em R$ 288 milhões.

ERS-466

O resultado do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) da ERS-466 foi apresentado na terça-feira, 20 de outubro. O anúncio aconteceu durante a abertura da 35ª Mercopar, feira de inovação industrial e negócios realizada em Caxias do Sul.

O projeto prevê 46 quilômetros de intervenções, sendo 41 entre a Rota do Sol e a ERS-235, em Canela. Os outros cinco quilômetros correspondem ao acesso ao futuro aeroporto. O estudo foi elaborado pelo Consórcio Rodovias RS e aceito pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) em setembro.

Estrada do Juá foi escolhida entre três alternativas

O estudo comparou três possibilidades de ligação. A alternativa escolhida segue pela Estrada do Juá até a ERS-235, com curvas e rampas mais suaves. Além disso, apresenta menor custo de implantação e necessidade reduzida de retirada de mata nativa.

Estudo define traçado da ERS-466, que ligará a Rota do Sol ao futuro Aeroporto da Serra Gaúcha, Gramado e Canela. Projeto está estimado em R$ 288 milhões.
Projeto do traçado da futura ERS-466.

As outras duas opções passariam por Tunas Baixa e Tunas Altas, cruzando o vale do Rio Caí até Gramado. Com extensões de 50,5 e 50,2 quilômetros, respectivamente, teriam custos estimados em R$ 499 milhões e R$ 517 milhões. Já o percurso escolhido tem custo estimado de R$ 288 milhões, com valores de referência de janeiro de 2026.

Pontes menores e menor impacto ambiental

Segundo o diretor-geral do Daer, Luciano Faustino, as características do relevo influenciaram diretamente a escolha. As alternativas pelo vale do Rio Caí exigiriam uma ponte de 1.080 metros.

Já o traçado pela Estrada do Juá prevê três pontes menores, que somam 360 metros. Além disso, as curvas e rampas mais suaves oferecem melhores condições para o tráfego.

“As duas alternativas pelo vale do Rio Caí exigiriam uma ponte de 1.080 metros. Pelo Juá, o percurso prevê três pontes menores, que, juntas, somam 360 metros. Essa diferença, associada às curvas e rampas mais suaves, favoreceu a escolha de um caminho com menor custo de implantação e melhores condições para o tráfego”, explica Faustino.

Outro fator considerado foi a preservação ambiental. A alternativa escolhida prevê a supressão de aproximadamente nove hectares de mata nativa, contra 24 e 27 hectares nas outras opções.

O percurso também evita as encostas florestadas do vale do Rio Caí. Além disso, o anteprojeto contempla 49 passagens de fauna, incluindo travessias sob pontes, para permitir o deslocamento de animais sem cruzar a pista.

Nova rodovia terá pistas mais largas e acostamentos

A estrada atual analisada pelo estudo possui cerca de 51 quilômetros, dos quais 22 já foram pavimentados pelos municípios. A largura da pista varia entre 3,3 e 4,3 metros, sem acostamentos.

O anteprojeto prevê uma plataforma pavimentada de 12,2 metros de largura. Serão duas faixas de tráfego de 3,6 metros cada, além de acostamentos de 2,5 metros em ambos os lados.

Os levantamentos do terreno e as sondagens também permitiram ajustar o traçado das curvas. A velocidade de projeto será de 80 km/h, reduzida para 60 km/h nos trechos de serra.

Esses valores são parâmetros técnicos utilizados no planejamento da rodovia. Portanto, não representam necessariamente os limites de velocidade que serão estabelecidos após a implantação.

Viagem entre aeroporto e Canela poderá levar 48 minutos

As simulações realizadas no anteprojeto estimam uma viagem de 47 minutos entre a Rota do Sol e o entroncamento da Estrada do Caracol com a ERS-235, em Canela.

Já o deslocamento entre o futuro Aeroporto da Serra Gaúcha e o mesmo ponto terá duração estimada de 48 minutos. Os cálculos consideram veículos leves, a velocidade de projeto e o limite de 40 km/h adotado na simulação do trecho final.

Na avaliação econômica, o estudo projeta R$ 1,63 em benefícios para cada R$ 1 investido. O cálculo considera a redução do tempo e dos custos de viagem, além dos impactos sobre produção, emprego e valorização imobiliária.

Esse valor representa uma estimativa de benefícios econômicos para a região, não uma previsão de arrecadação para o Governo do Estado.

Projeto busca integrar transporte, indústria e turismo

O secretário estadual de Logística e Transportes, Clóvis Magalhães, destacou a importância de integrar o futuro aeroporto às atividades econômicas da Serra Gaúcha.

“A Serra Gaúcha reúne uma indústria que atende mercados de todo o país e destinos turísticos que recebem visitantes de diferentes regiões. O acesso ao novo aeroporto precisa estar integrado a essa dinâmica, facilitando tanto a chegada de passageiros quanto o transporte de cargas. Ao definir essa ligação, damos um passo para aproximar o futuro terminal dos municípios e das atividades que ele deverá atender”, afirma Clóvis.

O planejamento é conduzido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Logística e Transportes (Selt) e do Daer.

Obra tem prazo estimado de 36 meses

A próxima etapa será a conclusão do anteprojeto, prevista para novembro. Depois, o empreendimento ainda precisará passar pelo licenciamento ambiental, pela elaboração do projeto executivo e pela licitação.

“Agora, o anteprojeto detalha essa alternativa a partir dos levantamentos de campo. A entrega está prevista para novembro e, na sequência, teremos as etapas de licenciamento ambiental, projeto executivo e licitação, necessárias para viabilizar o início dos trabalhos”, informa Luciano Faustino.

O estudo estima 36 meses para a execução da obra, após o início dos serviços. No entanto, ainda não existe uma data definida para a entrega da ligação, pois o começo dos trabalhos depende das etapas preparatórias.

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