Golpe da pirâmide financeira em Nova Prata e na Serra Gaúcha
A Polícia Civil de Nova Prata investiga um esquema de pirâmide financeira que lesou centenas de pessoas na Serra Gaúcha com promessas de lucro fácil

O sonho do dinheiro fácil se transformou em pesadelo para centenas de moradores da Serra Gaúcha. A Polícia Civil de Nova Prata investiga a “empresa” BMB, responsável por um esquema de pirâmide financeira que colapsou nesta semana. O golpe deixa um rastro de prejuízo em cidades como Nova Prata, Bento Gonçalves e arredores.
O colapso do sistema
A “plataforma” da BMB travou os saques na última sexta-feira (30 de janeiro), o que impediu o acesso de quem tinha dinheiro “aplicado”. O desespero dos clientes aumentou ainda mais nesta quarta-feira (4 de fevereiro), quando a situação tomou um rumo mais grave.
Golpe dentro do golpe
Na quarta-feira, o sistema passou a exigir novos depósitos sob a promessa de liberar os valores retidos. Contudo, a polícia classifica essa manobra como um novo golpe dentro do golpe. Em Nova Prata, a Brigada Militar precisou intervir para garantir a segurança na Avenida Luiz Marafon, onde o escritório da “empresa” teria fechado as portas logo após a revolta dos investidores.
Como funcionava o esquema
A estrutura operava com elementos claros de insustentabilidade, seguindo o velho e mundialmente famoso esquema de pirâmide financeira:
- Promessas irreais: O esquema seduzia as vítimas com opções de investimentos, tais como R$ 2 mil para receber até R$ 15 mil em apenas 30 dias.
- Recrutamento obrigatório: Para liberar supostos “bônus”, o participante deveria indicar pelo menos quatro novas pessoas para a rede.
- Lavagem cerebral: O grupo promovia jantares e transmissões ao vivo com forte apelo emocional. Além disso, utilizava a ostentação nas redes sociais, incluindo prints de “ganhos”, para atrair novos membros.
- A conta não fecha: O esquema só funciona com dinheiro novo. Quando as indicações param, a pirâmide desmorona — e os líderes já sumiram com o dinheiro.
- Falta de rastro: Os usuários realizavam pagamentos via Pix para diversas contas, o que agora dificulta o rastreamento do dinheiro pelas autoridades.
Alerta da polícia
Durante entrevista à Rádio Ativa de Nova Prata nesta quinta-feira (5), a delegada Liliane Pasternak Kramm e o escrivão Bruno Vieira reforçaram que ninguém deve fazer novos aportes. Segundo as autoridades, o esquema já faliu e a recuperação dos valores é improvável.
A “empresa” BMB
A escala do prejuízo é vasta. Na semana passada, também em entrevista à Rádio Ativa, um dos membros da dita empresa BMB informou que cerca de 5 mil pessoas de toda a região estariam depositando valores. Os responsáveis alegavam, ainda, que a sede da “companhia” ficava em Londres.
O fantasma da Unick
O caso da BMB relembra o episódio amargo da Unick, um dos maiores esquemas de pirâmide do país, que começou a quebrar em 2019. Na Serra Gaúcha, em cidades como Bento Gonçalves e Pinto Bandeira, famílias inteiras contraíram empréstimos e venderam bens para investir na Unick, mas, no final, perderam TUDO. Assim como ocorre agora, amigos e parentes convidavam ou induziam as vítimas a participarem da pirâmide.