Hacker diz a CPMI que Bolsonaro prometeu indulto em caso de grampo contra Moraes

Fábio Wajngarten, que foi chefe da Secretaria de Comunicação do governo Bolsonaro, nega acusação

Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O hacker Walter Delgatti afirmou, nesta quinta-feira, 17/08, em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro, que Bolsonaro teria pedido que ele assumisse a autoria de um grampo de conversas do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

Delgatti afirma que aceitou o pedido feito pelo ex-presidente em telefonema mediado pela Deputada Federal Carla Zambelli (PL-SP), mas que nunca teve acesso a esse suposto grampo do ministro.

“Ele disse que, em troca, eu teria o prometido indulto e ainda disse assim: caso alguém me prenda, eu [Bolsonaro] mando prender o juiz e deu risada”, revelou o hacker preso por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e de outros tribunais.

O objetivo do ato, segundo Delgatti, era provocar alguma ação contra o ministro Alexandre de Moraes e forçar a realização de uma nova eleição, porém, com o chamado voto impresso, modalidade que foi negada pelo Congresso Nacional em 2021.

O hacker disse que foi procurado pela deputada Carla Zambelli com a promessa de um emprego. A parlamentar nega as acusações, mas afirma que aguarda acesso aos autos para se manifestar sobre todas as informações divulgadas.

Pela rede social X (antigo Twitter), Fábio Wajngarten, que foi chefe da Secretaria de Comunicação do governo Bolsonaro, afirma que “nunca houve grampo, nem qualquer atividade ilegal ou não republicana contra qualquer ente político do Brasil por parte do entorno primário do presidente”.