Hospital Tacchini libera entrada de animais de estimação para visitação a pacientes

Ainda em abril do ano passado, a administração do Hospital Tacchini manifestou-se favorável ao projeto de lei do vereador Gustavo Sperotto, o qual tinha por objetivo autorizar que pacientes internados em hospitais públicos, privados e conveniados ao SUS no município pudessem receber a visita de seus animais de estimação. Recentemente, a lei foi aprovada na Câmara de Vereadores, indo ao encontro do projeto interno “Animal no Hospital”, desenvolvido no Tacchini. A ação, realizada em parceria com a ONG Ações para o Bem, permitiu que pacientes internados na ala psiquiátrica recebessem a visita de seus cachorros, de modo a contribuir com o tratamento. 

Após a aprovação, em dezembro do ano passado, o Hospital Tacchini permitiu a um paciente receber a visita de seu animalzinho de estimação. “Desde que fomos procurados pelo vereador Sperotto, sempre nos mostramos favoráveis, pois sabemos o quanto um animal faz a diferença na vida de uma família. Propomos alguns ajustes ao projeto de lei e internamente ajustamos nossas rotinas junto às equipes e a primeira experiência foi positiva”, relata a diretora técnica da instituição, Dra. Roberta Pozza.

Primeira visita

No mês de fevereiro, o Hospital Tacchini recebeu a primeira visita de um animal de estimação às suas dependências. O paciente, que tinha dificuldades de deslocamento, recebeu no próprio leito a visita de sua cadelinha Shih Tzu, Cacau, de 10 anos. “Foi um caso excepcional, onde foi preciso preparar o ambiente para este momento. É importante que todos tenham consciência, uma vez que não se trata de algo simples, embora pareça. Estamos falando de um hospital, onde o foco é a saúde e não podemos expor nossas equipes, pacientes e até mesmo os familiares. Mas apoiamos a iniciativa e sabemos o quanto isso traz benefícios na recuperação dos pacientes”, conclui.

 


O vendedor Cláudio Luís Pinto, falecido em fevereiro, foi o primeiro paciente do Tacchini autorizado a receber a visita de sua mascote, a Cacau. No registro, ele aparece em casa, com a família (Foto: arquivo pessoal)

 

A aprovação do projeto foi ao encontro de um antigo desejo da família. “Nos cinco anos em que enfrentamos a doença do meu pai, sempre pensamos em levar a Cacau durante os períodos de internação, uma vez que os dois eram ‘um só’. No entanto, sabíamos das restrições e isso nunca foi possível”, relata a arquiteta Claudia Alberici Pinto. Ela reconhece que requisitos do projeto não são nada exagerados. “Não vimos como questões burocráticas demais, uma vez que o Hospital cuida de muitas pessoas em diversificados estados de saúde e com diferentes patologias. Assim, todo cuidado é imprescindível”, comenta. O pai dela, o vendedor aposentado Cláudio Luís Pinto, faleceu no dia 7 de fevereiro – na última quarta-feira, dia 20, ele completaria 62 anos de idade.

 


Foto: arquivo pessoal

 


 

Lei na prática

Todo paciente ou acompanhante deve manifestar seu desejo junto à equipe assistencial e obedecer aos requisitos da lei e pelo próprio hospital. No Tacchini, a ação é coordenada pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar. A médica infectologista Nicole Alberti Golin diz que todos os casos são avaliados individualmente, envolvendo a família e a equipe médico-assistencial. “As visitações apenas serão liberadas para pacientes que estão no hospital há pelo menos 30 dias, sem previsão de alta ou que estejam em cuidados paliativos. Mas mesmo assim, se não houver condições, não poderemos expor o paciente a fim de não prejudicar sua recuperação”, explica. Para ter acesso ao hospital, o pet deve ser de pequeno porte, ter carteira de vacinação atualizada, laudo veterinário constatando sua saúde e comprovante de banho em pet shop nas 24 horas anteriores à data da visita.