Lula sai em defesa de Maduro
Presidente Lula condena ataques americanos à Venezuela e critica prisão do ditador Nicolás Maduro

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu em defesa do ditador venezuelano Nicolás Maduro. Lula condenou publicamente o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e a prisão do chefe do regime venezuelano e de sua esposa, Cilia Flores. A manifestação ocorreu nas redes sociais poucas horas depois de o governo do presidente norte-americano Donald Trump anunciar que as forças dos Estados Unidos realizaram um ataque em larga escala no país vizinho, na madrugada deste sábado (3).
Segundo Trump, a a operação teve êxito e resultou na captura de Nicolás Maduro e de Cilia Flores, que teriam sido retirados do território venezuelano por via aérea.
Ao comentar o episódio, Lula afirmou que os bombardeios na Venezuela e a captura de seu presidente violam a soberania do país, afrontam o direito internacional e criam um precedente perigoso. De acordo com o presidente brasileiro, o uso da força favorece um cenário global de instabilidade, remete a antigas interferências na América Latina e ameaça a região como zona de paz, o que exige uma resposta firme da comunidade internacional, especialmente da Organização das Nações Unidas (ONU).
“O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”, disse Lula.
A Venezuela real
Ao afirmar que “o Brasil condena” a ação americana, Lula não reflete a posição de parcela significativa da população brasileira, que se opõe ao regime ditatorial de Nicolás Maduro.
Há anos, o Brasil convive com um fluxo migratório intenso de venezuelanos, e é justamente esse contato direto com o povo da Venezuela que expõe a nefasta realidade enfrentada no país.
Relato de venezuelano que vive em Bento Gonçalves
Em entrevista ao jornal SERRANOSSA, um venezuelano que reside em Bento Gonçalves relatou que deixou a Venezuela por não ter mais o que comer nem condições de sustentar a família. Segundo ele, diversas regiões enfrentavam apagões elétricos constantes, não tinham acesso à água potável e viviam sem conexão com a internet.
Após se estabelecer no Brasil e conseguir emprego, cerca de um ano depois, o pai também migrou para Bento Gonçalves. Nesse período, conforme o relato, o pai havia emagrecido 15 quilos, pois não tinha o que comer.