Membros do Conselho Municipal de Saúde são destituídos e deliberações de 2016 suspensas

Presidência e membros do Conselho Municipal de Saúde (CMS) foram surpreendidos na última semana, após o Ministério Público Estadual (MPE) e o Ministério Público Federal (MPF) recomendarem que o prefeito Guilherme Pasin declarasse nulas as nomeações dos atuais conselheiros, suspendesse as atividades do colegiado e tornasse sem efeitos todas as deliberações tomadas pelo núcleo desde 1° de janeiro de 2016. Isso porque, segundo o MP, o processo eleitoral foi irregular.

Na recomendação, acatada pelo prefeito, o Ministério Público afirma que, de acordo com provas colhidas, as indicações de representantes de diversas entidades, associações e sociedade civil não respeitaram a legislação vigente, que prevê ampla publicidade na escolha dos membros por cada entidade. Segundo o ofício, houve, inclusive, autoindicação de alguns.

De acordo com o procurador-geral de Bento, Gustavo Baldasso Schramm, a recomendação não significa que a presidência ou os membros do conselho tenham cometido irregularidades. “Houve falhas formais, burocráticas, na eleição do conselho. Agora, a prefeitura irá publicar um ato normativo que regulamente o rito para eleição do novo núcleo de coordenação, na qual todos da atual diretoria podem participar”, explicou. Um novo rito será publicado nos próximos dias e uma nova eleição deve ser feita até o dia 29.

  • Ótica Debianchi
  • Vinícola Garibaldi
  • Vinícola Garibaldi

Conselho se defende

O atual presidente do Conselho, Antônio Frizzo, afirmou que o rito de escolha dos membros é o mesmo desde 1991 e rechaçou uma reportagem veiculada em um jornal local, afirmando que irregularidades passariam de R$ 100 milhões. “As irregularidades foram burocráticas e todas as recomendações do Ministério Público não têm nada a ver com irregularidades desse naipe. Nós do Conselho fomos atacados na nossa ética, moral e caráter e tomaremos as medidas judiciais necessárias”, afirmou. “Trabalhei de graça por 24 anos neste Conselho, assim como tantos outros membros. Não é fácil encontrar pessoas capazes de se dedicarem voluntariamente a participar, especialmente diante da grande responsabilidade que temos”, afirmou Frizzo.

O CMS tem a função de controlar o dinheiro da saúde, monitorar a execução das ações na área, participar da formulação das metas e acompanhar as verbas que são encaminhadas pelo SUS e também os repasses dos programas federais. Com as atividades suspensas, quem mais sofre as consequências é a própria população, segundo o secretário de Saúde, Ênio de Paris. “Estamos preocupados com essa situação. Nós precisamos do Conselho. A secretaria, o município, os pacientes de ponta precisam do Conselho. Por isso, há necessidade de olharmos para frente e agilizarmos esse novo processo eleitoral”, afirmou o secretário, recomendando que todos os representantes de entidades fiquem atentos às orientações que serão enviadas ainda nesta semana, sobre os procedimentos legais da escolha dos membros que farão parte do Conselho.

Enviar pelo WhatsApp:
Você pode gostar também