Camarote
06/02/2017 07:01:39, escrita por SERRANOSSA

Através de um lápis preto Julia Pasquali, de 13 anos, expressa seu talento

É com o lápis preto que a história de Julia Pasquali está sendo desenhada. Aos 13 anos, a garota irradia felicidade ao falar da sua primeira mostra. “Ia desenhando mais por brincadeira, nunca pensei que pudesse virar uma exposição” conta.

Seu interesse pelo desenho começou há oito anos, quando ficou internada por 15 dias por conta de uma osteomielite. Para distraí-la do pesado ambiente hospitalar, as enfermeiras lhe traziam papel e lápis de cor. Após a alta, pediu aos pais, Maristela e Pedro – hoje seus maiores incentivadores –, que comprassem materiais para praticar em casa. Gostava de colorir e ensaiar os primeiros rabiscos com personagens de contos de fada e de histórias infantis. Com o passar do tempo, a frequência dos traços e a qualidade das criações foi evoluindo. Foi apenas no ano passado que o hobby passou a ser levado a sério.

As margens dos cadernos servem de moldura para as suas criações enquanto está na escola – ela cursa o 8º ano do Ensino Fundamental na escola Alfredo Aveline. Mas é aos finais de semana que consegue dedicar-se com mais foco à sua arte. A inspiração vem de desenhos colecionados no aplicativo Pinterest e também do cotidiano – sua bicicleta encostada em uma árvore no sítio da família, por exemplo. Até mesmo como forma de explorar diferentes técnicas e traços, mescla a reprodução de imagens que encontra na internet com traços autorais.

O primeiro reconhecimento de sua arte surgiu quando dois desenhos seus – um pássaro e uma borboleta estilizados com notas musicais – foram escolhidos para estampar embalagens de presente da livraria Aquarela.  Frequentadora do lugar, ela costumava comprar ali os adesivos que colecionava na infância e, à medida que o seu talento era lapidado, investia também nos apetrechos necessários para desenhar. Rosa Milani, uma das proprietárias, encantou-se com as ilustrações e teve a ideia de eternizá-las nos embrulhos.

O primeiro reconhecimento do seu talento veio no ano passado, quando dois desenhos seus foram escolhidos para estampar embalagens de presente de uma livraria da cidade

Foi graças à iniciativa que Julia conheceu Marjori Brandolt Vaccari e passou a fazer aulas particulares para aperfeiçoar seus conhecimentos. Os encontros semanais precisaram ser suspensos temporariamente por conta da mudança na rotina ocasionada pelo início da exposição, mas devem ser retomados em breve. Com a professora, a adolescente está aprendendo técnicas de realismo. Por enquanto, o tema central são os animais, mas ela pretende, posteriormente, aprofundar-se também em figuras humanas. 

Com os ensinamentos, Julia passou a comercializar sua arte, desenhando sob encomenda pets a partir de fotografias. O trabalho é cobrado por hora, com valor diferenciado para criações em preto e branco ou coloridas – em média são necessárias três horas até a finalização. No futuro, ela projeta reunir esses retratos para uma segunda mostra dos seus trabalhos.

Com as aulas de desenho, a garota aprendeu técnicas de realismo que usa para reproduzir sob encomenda retratos de cães e gatos

Além dos pets, a menina também gosta de desenhar mandalas. A sua preferida – entre as selecionadas para a exposição – é também a sua obra mais trabalhada: foram 18 horas de desenho distribuídas ao longo de cinco dias. Julia prefere utilizar lápis preto e caneta da mesma cor, já que ainda não domina as técnicas para uso de lápis de cor. Além disso, gosta do efeito das imagens monocromáticas, que transmitem a sensação de se tratar de um desenho, ao contrário das obras coloridas que se assemelham mais a fotografias.

Embora ainda seja nova para pensar os rumos profissionais, ela pretende seguir em alguma área que tenha afinidade com o desenho, como design ou arquitetura. “Eu me sinto muito bem desenhando, bem à vontade, bem solta”, comenta.

A exposição

Iniciada no dia 15 de maio, a mostra “Através de um lápis preto” segue até esta sexta, dia 2, no Sesc Bento Gonçalves. A ideia de expor os trabalhos foi dada por um médico que atende sua mãe, e foi prontamente aceita pela família, que partiu em busca de um espaço que aceitasse a proposta e sediasse o evento. Os desenhos, selecionados com ajuda da mãe, incluem mandalas, criaturas fantásticas e obras sobre questões ambientais. No mês seguinte, os trabalhos poderão ser apreciados na Fundação Casa das Artes. Durante o período da exposição, Julia costuma permanecer no local para recepcionar os visitantes e aproveita os minutos livres para treinar novos traços. “Eu não esperava que um desenho ou outro fosse se tornar isso tudo”, garante.

Julia adora desenhar mandalas. Esta é a sua preferida e levou 18 horas para ficar pronta

Esta é a 29ª reportagem da Série “Vida de...”, uma das ações de comemoração aos 10 anos do SERRANOSSA e que tem como objetivo contar histórias de pessoas comuns, mostrando suas alegrias, dificuldades, desafios e superações e, através de seus relatos, incentivar o respeito.



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