Cultura e entretenimento
07/03/2020 12:43:37, escrita por Greice Scotton Locatelli

Nova vida ao subsolo da Casa das Artes

Obra que foi alvo de críticas públicas da atriz Angela Vieira em 2011 deve ser concluída em cinco meses

Em março de 2011, Bento Gonçalves recebeu uma apresentação que lotou o anfiteatro da Fundação Casa das Artes. Estrelada pela atriz Angela Vieira, a peça “O Matador de Santas” acabou ganhando destaque não apenas pela qualidade artística, mas pelas declarações feitas publicamente ao final do espetáculo. Na época, a atriz fez duras críticas ao local, enfatizando que não havia condições de deixar a obra inacabada, pois a infraestrutura atrás das coxias era péssima. “Quero que a beleza que vocês estão vendo daí a gente possa ver aqui atrás também. Bento Gonçalves é uma cidade linda, merece um local para apresentações à altura”, opinou.

Nesta semana, um importante passo foi dado: a assinatura de ordem de início das obras de reforma do subsolo, para construção não apenas dos camarins que foram alvo de críticas da atriz, mas também de uma sala multiuso e de um depósito que farão com que a estrutura possa ser melhor utilizada.

O projeto, intitulado Repensar para Crescer, prevê construção de camarins, sala multiuso e depósito, com acessibilidade. O orçamento inicial da obra era de R$ 348.738,56, mas o valor do contrato ficou em R$ 286.218,57, após vencidas todas as etapas licitatórias pela PRO 5 Engenharia, que já iniciou os trabalhos. O projeto conta com financiamento da Lei de Incentivo à Cultura (LIC-RS) e tem 100% do valor passível de captação, já realizado através das empresas patrocinadoras LNF, Cinex e Serra Inox. 

De acordo com o secretário de Cultura e presidente da Fundação Casa das Artes, Evandro Soares, o cronograma de obras descrito no projeto reserva o prazo de cinco meses para finalização. “Esse projeto busca beneficiar, valorizar e dar melhor qualidade de trabalho principalmente aos artistas da nossa cidade. Mas não somente a eles, pois beneficia toda a comunidade”, comenta.

 


Sala multiuso foi pensada para receber ensaios e também apresentações de grupos locais, palestras e exposições, entre outras atividades (Imagem: Reprodução)

 

A área total da reforma do subsolo é de 379,69m². A nova sala multiuso foi pensada para receber ensaios e também apresentações de grupos locais, palestras e exposições, entre outras atividades. O local era usado anteriormente como reserva técnica de materiais do Museu do Imigrante, como depósito e ainda abrigava um camarim improvisado. “A sala multiuso vai dar vida a um espaço enorme até então ocioso e o fato de ter acesso direto à Rua Coberta fará com que se torne até mesmo uma sala de apoio para eventos realizados no local. Também é importante ressaltar que em função de inúmeros eventos que a Casa das Artes recebe, apesar de ser um prédio enorme, já estávamos sentindo falta de espaço e assim provavelmente conseguiremos realizar mais de uma atividade simultaneamente”, diz o secretário.

Legado

O prédio da Casa das Artes, de 4.000m², levou 30 anos para ser finalizado. O coração do local, o Anfiteatro Ivo Antônio Da Rold, com capacidade para 450 pessoas na plateia, só foi inaugurado em 2009. Atualmente o espaço conta também com sala de cinema, miniauditório, salas de exposições, ensaio e oficinas. Com a entrega do subsolo, Soares considera a estrutura física acabada. “Quando foi concebida, a Casa das Artes era considerada uma obra faraônica. Desde seu início, governos, pessoas e empresas contribuíram com esse que é considerado o último grande equipamento público de cultura na nossa região, senão no Estado. Agora estamos realmente finalizando a Casa das Artes e esse legado fica para as futuras gerações”, avalia.




Curta o SERRANOSSA