Economia
31/08/2012 13:59:42, escrita por SERRANOSSA

Setor moveleiro prevê crescimento neste ano

Resultados positivos de 2012 podem ter sido alavancados pela isenção do IPI

O setor moveleiro do município está otimista com os resultados de 2012 e prevê crescimento de 10% em relação a 2011, segundo a presidente do Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sindmóveis), Cátia Scarton. O crescimento, estima o setor, pode ter sido alavancado pela isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) vigente sobre móveis, implementada em abril e prorrogada no final de junho e novamente nesta semana até o dia 31 de dezembro. Nos primeiros três meses de vigência da isenção (abril, maio e junho), o crescimento foi de 10,54% em relação aos mesmos meses do ano passado. Para os móveis, a alíquota, agora suspensa, era de 5%.

A presidente do Sindmóveis afirma seguramente que o crescimento deve ser de 10%. “No segundo trimestre tivemos um crescimento de 10,54% em relação ao segundo trimestre de 2011. É um crescimento considerável”, detalha. Somente em maio, o faturamento foi de R$ 213,11 milhões, conforme o Sindmóveis. O sindicato ainda não dispõe dos números consolidados do mês de julho, mas a expectativa é de que o crescimento tenha se mantido. 

Ainda não há também informações sobre o impacto das isenções de IPI para o consumidor final. A impressão no mercado, no entanto, é de que há benefícios para quem está decorando a casa. “Não temos números para o consumidor porque indústrias e comércio fazem negociações muito diferentes. Mas os varejistas já anunciaram que houve redução do preço final”, afirma Cátia.


Indústria gaúcha 

No geral, em todo o Rio Grande do Sul a indústria moveleira vem registrando crescimento em 2012. Segundo dados compilados pela Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (Movergs), de janeiro a junho todos os meses apresentaram resultados melhores que no ano passado no quesito faturamento. Em 2012 (janeiro a junho), o faturamento acumulado da indústria foi de R$ 1,52 bilhão, contra R$ 1,35 bilhão em 2011 no mesmo período. A variação é de 13,18%.


Nova prorrogação

Na quarta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nova prorrogação da isenção do IPI para móveis, desta vez válida até 31 de dezembro. A ideia é estimular o consumo e, no caso de móveis e de materiais de construção, que também foram incluídos na prorrogação, dar tempo aos consumidores para aproveitarem os preços mais baixos. “Quem precisa fazer obra em casa não faz compra imediata. Às vezes, leva de oito a dez meses para gastar. O privilégio vai ser mantido para dar tempo de todo mundo fazer a reforma”, disse o ministro no anúncio da medida. Para os três meses adicionais de isenção de IPI, o governo estima que renunciará a R$ 371 milhões em arrecadação.

Sindmóveis e Movergs já trabalhavam para que a isenção de IPI dos móveis fosse mais uma vez prorrogada. As entidades, no entanto, querem mais: buscam a extinção do imposto, segundo Cátia Scarton. “A isenção de IPI representa ganhos importantes, mas pontuais. É um paliativo. Precisamos de uma reforma tributária mais profunda”, defende a presidente do Sindmóveis. “Trabalhamos em conjunto com a Movergs para a isenção definitiva do IPI”, anuncia.

No último dia 20, o governo federal já havia reduzido a zero as alíquotas do IPI incidentes sobre painéis de madeira, laminados de alta resistência e PVC para móveis. Segundo a Receita Federal, a ideia é estimular a cadeia produtiva e contribuir para a manutenção dos níveis de atividade econômica. A estimativa é de que a renúncia de receitas chegue a R$ 116,12 milhões até o dia 30 de setembro, quando a isenção do IPI deixa de valer. Para a presidente do Sindmóveis, Cátia Scarton, no entanto, a inclusão de mais produtos na lista de isenção do imposto terá pouca repercussão entre as indústrias do município e não deve ser sentida pelo consumidor. Por causa da forma como é composto o imposto, que é cumulativo, o impacto financeiro não é grande. Para as indústrias, isso deverá se reverter em capital de giro. A estimativa é de que a redução do IPI tenha impacto de 0,5% nos custos dos produtos.


Reportagem: Eduardo Kopp


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