Economia
19/06/2013 10:15:28, escrita por SERRANOSSA

Financiamento de móveis anima indústria

"Minha Casa Melhor" foi oficializado na última semana e deve impulsionar vendas até o final do ano

Os beneficiários do programa Minha Casa, Minha Vida terão crédito disponível de R$ 18,7 bilhões para comprar móveis e eletrodomésticos. O financiamento é chamado de Minha Casa Melhor pela presidenta Dilma Rousseff e foi anunciado em caráter oficial na última semana. “Essa medida era aguardada pela cadeia produtiva de madeira e móveis do Estado. A Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (Movergs), em conjunto com o Sindmóveis, tem estava trabalhando há muito tempo junto aos órgãos do Governo Federal, para que se promovesse ao público uma linha de financiamento que facilitasse a compra de móveis”, destaca Ivo Cansan, presidente da Movergs.

Com o anúncio, o setor volta a projetar números favoráveis para o desempenho em 2013. “Nosso crescimento estava ameaçado, pois as vendas despencaram no primeiro semestre. Imaginamos que, sendo o segundo semestre sempre  um período de maior consumo de móveis, e com este novo método de financiamento disponível, será possível concretizar as previsões iniciais de crescimento para este ano – em torno de 5% real”, avalia. Para tanto, é necessário que as linhas de crédito sejam rapidamente disponibilizadas. “O mercado sentirá o retorno na medida em que houver a disponibilidade real de dinheiro do governo”, diz.

As boas expectativas também tomam como base o fato de as indústrias já terem realizado investimentos nos parques fabris, em maquinários e tecnologia suficientes para ampliar a produção. O intuito é atender à demanda esperada, também pelo crescimento da construção civil. “Com certeza, os fabricantes mais beneficiados serão os que produzem móveis para a nova classe média, a mais beneficiada com este modelo de financiamento”.

Independente das novas formas de financiamento popular de móveis e eletroeletrônicos, o presidente da Movergs destaca que, embora muito válida, a medida não resolve os entraves estruturais que roubam a competitividade dos móveis nacionais. “As dificuldades continuam nos impostos, insumos e logística, somados a concorrência dos produtos importados, principalmente no segmento de acessórios e componentes”, aponta Cansan.


Exportações 

O custo Brasil está entre os entraves responsáveis por frear as exportações gaúchas e manter o Rio Grande do Sul na segunda posição do ranking dos estados brasileiros que mais venderam móveis para o exterior no período de janeiro a abril deste ano. Os dados confirmam Santa Catarina na liderança, pelo terceiro mês consecutivo em 2013, com vendas na casa de US$ 58,5 milhões perante os quase US$ 57 milhões do RS. Em abril, os gaúchos exportaram US$ 15.245.628 e SC contabilizou US$ 16.549.238. Na sequência do ranking aparecem Paraná, São Paulo e Minas Gerais.

Ivo Cansan explica que o custo Brasil segue como maior empecilho para a competição global. “Enquanto continuarmos a cobrar dos consumidores externos os custos sociais dos brasileiros, sempre estaremos oferecendo produtos com valores acima do mercado internacional. Somente com uma política de exportações séria e determinada conseguiremos manter e talvez conquistar novos mercados. Custos trabalhistas, tributários e de logística extrapolam os preços dos nossos produtos, tornando inviável qualquer fator de competição”, afirma.

Nem mesmo a valorização cambial, com a alta do dólar, deve trazer retorno imediato como argumento para impulsionar as exportações. “O resultado dessa oscilação poderá ser medido em, no mínimo, seis meses, desde que a política de câmbio se mantenha estável e esse fator não tenha impacto sobre as matérias-primas nacionais. Muitos insumos dependem de importação e podem ter seus preços onerados, o que aumentaria o custo do produto final, prejudicando as vendas”, avalia o presidente.

O percentual de participação do Rio Grande do Sul nas exportações de móveis do país ficou em 27,2% no acumulado do ano – aumento de 3,2% em relação ao mesmo período de 2012. Já Santa Catarina, apesar de ter registrado 27,9% de participação, teve uma queda de 2,1% em relação ao ano anterior. 

A Argentina foi o país que mais recebeu os móveis brasileiros, com US$ 39.301.413 no período, seguida por Estados Unidos, Reino Unido e Uruguai. Quanto às importações de móveis gaúchos, o Reino Unido continua no topo da lista, à frente de Uruguai, Chile e Peru. 


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