Economia
18/10/2018 09:17:39, escrita por SERRANOSSA

Levantamento revela que um terço dos usuários de cartão de crédito desconhece valor da fatura

 Atrasos no cartão de crédito podem custar caro. Mesmo assim, boa parte dos usuários dessa modalidade de crédito desconhece o valor da fatura do mês anterior. É o que aponta o Indicador de uso de Crédito apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Entre os consumidores que usaram o cartão de crédito em agosto, 33% não sabem o quanto gastaram. A fatura média entre os que lembraram do valor gasto foi de R$ 882 .  Além disso, cerca de 25% entraram no rotativo e 74% pagaram o valor integral da fatura — percentual que cai para 64% nas classes C e D. 

O levantamento constatou ainda que metade (50%) dos tomadores de empréstimos e financiamentos atrasaram, em algum momento, parcelas da dívida, sendo que 21% ainda estão com prestações pendentes. A sondagem mostra também que quatro em cada dez consumidores (42%) recorreram a algum tipo de crédito em agosto, número próximo da média dos últimos 12 meses. A modalidade mais mencionada foi o cartão de crédito, citado por 35%. Em seguida, aparece o crediário (9%), o limite do cheque especial (7%) e os empréstimos (6%).

Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o uso do crédito exige cuidados e não pode funcionar como complemento da renda. “A falta de disciplina no controle do orçamento acaba provocando uma desoganização tamanha que, em muitos casos, o consumidor precisa recorrer a renegociações que levam muitos meses para quitar, comprometendo parte do orçamento por um bom tempo”, alerta a economista.
 
Questionados sobre o grau de dificuldade para a obtenção de empréstimos e financiamentos, mais da metade (52%) dos entrevistados afirmam encontrar dificuldade. Já outros 21% disseram não considerar a contratação fácil nem difícil e 10% acham fácil. Os entraves são percebidos, principalmente, nas classes C e D (56%).

Na sondagem também foi investigada a disposição dos consumidores em cortar gastos. Para 55%, a meta é diminuir as despesas em relação ao mês de agosto. Outros 36% sinalizaram manter o mesmo nível de gastos e apenas 5% relataram ter intenção de aumentar as despesas. A principal razão para os cortes está ligada aos preços elevados praticados no mercado (33%). Os entrevistados citaram outros fatores, como intenção de economizar (30%), desemprego (20%),  endividamento (14%), queda da renda (12%), desejo de fazer reserva financeira (11%) e elevados gastos do mês anterior (9%).

A pesquisa ainda mostra que oito em cada dez consumidores (82%) estão no limite do orçamento, sendo que 44% mostraram-se no zero a zero e 38% no vermelho — sem recursos suficientes para arcar com todos os compromissos. Os altos preços foram mencionados como a principal causa do desajuste para 49% dos que declararam estar no vermelho. Em seguida, aparece queda da renda (25%), perda do emprego (23%) e descontrole dos gastos (13%).




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