Geral
15/03/2019 11:17:38, escrita por SERRANOSSA

Série especial: O bom filho a casa torna... agora para ensinar

Dante Elias Trevisan. Se você é fã de voleibol – ou do popular vôlei –, certamente já ouviu esse nome. Nascido em Garibaldi, ele se mudou para Bento Gonçalves ainda criança e foi no Clube São Bento que descobriu o que queria ser quando crescesse: jogador de voleibol. Mas não pense que foi algo premeditado, pelo contrário: a matrícula na escolinha que funcionava no clube se deu por dois fatores principais: o desejo de praticar um esporte e a proximidade de casa – a família morava a apenas duas quadras de lá.

 


Quase 30 anos depois, Dante retorna às quadras da Recriar onde aprendeu a jogar vôlei para ensinar e inspirar outras crianças (Foto: Greice Scotton Locatelli)

 

O que começou por acaso virou uma carreira internacional de sucesso. Às vésperas de completar 38 anos, Dante segue um apaixonado pelo esporte, apesar de estar “aposentado” das quadras profissionais desde 2015, após sofrer uma lesão no ombro direito durante uma partida pelo Bento Vôlei. Ele se recuperou na temporada seguinte, mas a falta de ritmo e a idade acabaram pesando e forçando um afastamento definitivo. Isso não o impediu, no entanto, de voltar onde tudo começou: às quadras da Recriar Esportes. De aprendiz a mestre, de aluno a técnico, de futura promessa a dono de uma carreira de sucesso. A ideia é não apenas seguir no esporte, como inspirar e motivar crianças e adolescentes a trilharem o mesmo caminho.

Trajetória ao acaso

Dante começou a praticar voleibol aos 9 anos e, ainda adolescente, viu seu talento reconhecido após a primeira convocação para a Seleção Brasileira Infantojuvenil, pela qual atuou durante 5 anos. As constantes viagens obrigaram uma adaptação nos estudos: depois de concluir o Ensino Fundamental pelo Colégio Sagrado Coração de Jesus, ele cursou os dois primeiros anos do Ensino Médio no Colégio Marista Aparecida e o 3º ano em duas escolas: a Mestre Santa Bárbara e o Mutirão. “Eu viajava muito, então nem sempre era possível conciliar as datas das provas”, lembra. 

 


Dante encerrou ciclo de cinco anos atuando pela seleção brasileira infantojuvenil com o título de campeão mundial (Foto: arquivo pessoal)

 

Revelado pelo Bento Vôlei – e um dos principais nomes da equipe durante a época de ouro, em que o clube de Bento Gonçalves integrava a seleta lista de times que disputam a Superliga Nacional –, Dante teve passagens importantes por equipes da Itália, Turquia, Emirados Árabes e Porto Rico, além de alguns clubes nacionais. “A prática tem algumas diferenças em relação ao Brasil. Na Itália, por exemplo, o vôlei é mais tático. Já em Dubai e na Suíça, o esporte nem sequer é considerado profissional”, compara. O idioma foi uma barreira que acabou sendo superada de forma espontânea. Quando se mudou para a Itália, o primeiro destino internacional, Dante tinha uma noção básica de inglês, mas como havia outros brasileiros no time não sentiu tanto o impacto. O mais difícil foi no Catar, onde ele acabou aperfeiçoando a fluência em inglês “na marra”, já que era o único brasileiro na equipe. 

 


Antes de voltar ao Brasil, o atleta passou 4 anos atuando em clubes da Suíça, consolidando uma carreira internacional de sucesso (Foto: arquivo pessoal)

 

Em 2007, um ano depois do início da carreira internacional, ele se casou com a dentista Daniele Aver Bortolini, depois de cinco anos de namoro. Eles têm uma filha, Maria Luiza, hoje com 3 anos e meio. Dante conta que o relacionamento se manteve sem que ela precisasse se mudar definitivamente para onde quer que a carreira o levasse – o fato de a profissão dela permitir a programação de folgas maiores contribuiu significativamente para isso.

 


Dante, a esposa, Daniele, e a filha, Maria Luiza (Foto: arquivo pessoal)

 

A aposentadoria trouxe a tranquilidade de fixar raízes. Ele voltou definitivamente para o Brasil em 2014, depois de 4 anos na Suíça. Apesar de não atuar mais profissionalmente, Dante segue participando de campeonatos amadores no Estado. Em todos eles, uma presença especial como companhia: a filha, Maria Luiza. “Quero seguir incentivando para que ela também aprenda a gostar do esporte”, comenta.

 


Apesar de não atuar mais profissionalmente, Dante segue participando de campeonatos amadores no Estado e busca inspirar a filha Maria Luiza, de três anos e meio (Foto: arquivo pessoal)

 

Projetos paralelos

Além de atuar como técnico das turmas da base da Recriar – as aulas acontecem duas vezes por semana, para crianças e adolescentes com idades entre 9 e 14 anos –, Dante tem se dedicado a um projeto pessoal que deve ganhar forma ainda no primeiro semestre: um novo centro de lazer em Bento Gonçalves que está sendo construído em parceria com os também ex-jogadores Alexandre Bergamo e Rodrigo Rivoli. Nas quadras, que estão sendo erguidas no bairro Botafogo, será possível praticar esportes de areia, como tênis, vôlei e futebol, além de treinos funcionais, em um ambiente indoor. A ideia é que o local comece a funcionar ainda no primeiro semestre deste ano.

Amizades

Muito mais do que ensinar táticas e movimentos precisos, Dante quer inspirar as novas gerações a aproveitarem um dos benefícios mais duradouros que o esporte pode propiciar: as amizades. “O vôlei me permitiu conhecer muita gente e fazer amigos para toda a vida. Em todos os clubes pelos quais passei, sempre convivi com pessoas dispostas a ajudar, independentemente da diferença de cultura e de nacionalidade. No fim, é isso que fica: aprender a conviver e a valorizar relacionamentos assim”, comenta. 

 

Revelado pelo Bento Vôlei, Dante teve passagens importantes por equipes da Itália, Turquia, Arábia e Porto Rico, além de alguns clubes nacionais (Foto: arquivo pessoal)

 



O SERRANOSSA não se responsabiliza pelas opiniões expressadas nos comentários deixados pelos leitores e adverte que o conteúdo pode ser reproduzido em reportagens. O teor das mensagens está sujeito a moderação.



Curta o SERRANOSSA