Geral
21/02/2020 13:28:02, escrita por Greice Scotton Locatelli

Vida de Comissária de Bordo

Patricia Edith Carniel D'Império morou durante boa parte da vida em Bento Gonçalves e em 2006 se mudou para São Paulo em função do trabalho

Ela aprendeu primeiros socorros, sobrevivência no mar e na selva e procedimentos de combate ao fogo. Enquanto trabalha, conhece o mundo – literalmente. A rotina da comissária de bordo Patricia Edith Carniel D’Império, de 35 anos, é o sonho de consumo de muita gente.


Patricia, Lucas e Esther com os pais dela, Carlos e Maria Edith | Foto: Arquivo pessoal 



Ela nasceu em Sapucaia do Sul (RS) e morou em Bento Gonçalves até o final de 2006, quando se mudou para São Paulo. O principal motivo da mudança foi a profissão. Lá ela conheceu o marido, o advogado Lucas Rodrigues D´Império, e comemorou a chegada da filha, Esther, hoje com 2 anos. Há cerca de um ano, os pais dela, Carlos Alberto e Edith, passaram a morar com eles. O pai fez carreira na Exatoria Estadual e a mãe é artesã. O irmão dela, Carlos Alberto Carniel Júnior, ainda mora em Bento Gonçalves.


 Foto: Arquivo pessoal


 

Formada em Turismo pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), Patricia conta que procurou o curso de comissária para acrescentar qualificações ao currículo. O que ela não sabia é que isso viraria uma paixão que já dura 13 anos, sempre na mesma companhia aérea.


“Na companhia voamos o equipamento, independente da rota. Eu voo equipamentos grandes que normalmente fazem rotas internacionais, mas isso não impede que faça alguns trechos nacionais também”, explica. Ela conta que a principal função de um comissário de bordo é zelar pela segurança do voo e dos passageiros. “Como cortesia, servimos algo para os clientes”, esclarece.


Nos 13 anos de experiência, Patricia acumulou em torno de 11 mil horas de voo. “A maior alegria da profissão é, sem dúvida, poder viajar pelo mundo. Normalmente ficamos um ou dois dias em cada lugar, o que nos permite conhecer diferentes países de forma rápida. Mas ficar longe da família é um desafio enorme”, diz. 


 Foto: Arquivo pessoal



Organizar a vida pessoal e profissional viajando tanto é outro desafio. “Temos uma escala mensal que é publicada todo final do mês. A rotina é longa, varia de 16 a 20 horas de trabalho a cada voo”, revela. Patricia conta que a profissão costuma despertar curiosidade. “É bem comum perguntarem se eu faço voos internacionais e quanto tempo eu fico fora de casa. Mas tem algumas situações que as pessoas nem desconfiam que aconteça. Uma delas é que os comissários de bordo dormem durante os voos. Em algumas aeronaves temos até camas”, conta. 


A preparação é algo indispensável antes mesmo da contratação. “Eu falo inglês e arranho o espanhol. O curso de comissário de bordo é obrigatório. Depois dele o candidato escolhe a empresa em que gostaria de trabalhar, manda currículo e espera ser chamado para uma seleção, que é feito dentro da própria companhia”, detalha. Após a seleção, os treinamentos e cursos de qualificação são anuais, oferecidos dentro da empresa. Entre eles estão primeiros socorros, sobrevivência no mar e selva e procedimentos de combate ao fogo.


Uma das histórias mais marcantes da carreira de Patricia foi a de um casal que chorava muito durante a viagem. “Eles estavam levando o corpo da filha no porão do avião”, conta.


Nas horas vagas, Patricia se dedica à família. “Pelo fato de meus pais morarem comigo, faço muitas coisas para eles, incluindo rotina de médicos. Gosto bastante de ir para a praia e para a academia e curtir a família”, diz.


Série Vida de...

Esta é a 159ª reportagem da Série “Vida de...”, uma das ações de comemoração aos 10 anos do SERRANOSSA e que tem como objetivo contar histórias de pessoas comuns, mostrando suas alegrias, dificuldades, desafios e superações e, através de seus relatos, incentivar o respeito.




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