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22/01/2021 13:36:48, escrita por Raquel Konrad

Safra 2021: expectativa de mais quantidade e boa qualidade

Primeiras variedades colhidas na Serra Gaúcha, que são usadas principalmente para a base do espumante, animaram os produtores, devido à maturação, qualidade e sanidade das uvas

Depois de comemorar uma safra histórica em 2020, a Serra Gaúcha começa colher as primeiras variedades da safra 2021 e com grandes expectativas. Isso porque, já se pode dizer que a quantidade colhida deve ser maior que a do ano passado e a qualidade têm se apresentado tão boa quanto à “safra das safras”. Além disso, os enólogos já têm uma certeza: 2021 vai render bons espumantes, devido à maturação, qualidade e sanidade das uvas precoces, destinadas à elaboração da base da bebida.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE), André de Gasperin, o resultado da colheita deste ano “tem tudo para ser mais uma safra de alta qualidade”. No entanto, ele pondera que ainda é cedo para precisar, tendo em vista que o auge da colheita ainda está por vir e o clima de cada dia é determinante no parreiral. “O que podemos afirmar é que as uvas precoces, utilizadas para a elaboração do vinho base espumante, já foram colhidas e estavam excelentes, com perfeito equilíbrio entre açúcar e acidez. Com isso, podemos aguardar espumantes fantásticos. Agora, nos preparamos para colher as castas intermediárias. Vamos torcer que as condições climáticas contribuam, que tenhamos dias secos e noites mais frescas e que a chuva venha na medida certa”, explica.


Foto: Divulgação/Aurora
 

O presidente da União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra), Deunir Argenta, afirma que o país está vivendo safras históricas, embora dependa do clima. “A Safra 2021 até agora nos motiva a acreditar que teremos mais um ano espetacular. Espumantes de excelência já estão garantidos, diante da qualidade e sanidade das uvas colhidas para esta finalidade. Agora, torcemos para que as condições climáticas continuem colaborando para uma boa maturação das uvas intermediárias e tardias que serão colhidas até final de março, início de abril, dependendo da região”, comenta.

Maior quantidade

Ricardo Morari, enólogo da Cooperativa Vinícola Garibaldi, aposta que a safra deste ano para a vinícola será de cerca de 25 milhões de quilos, aproximadamente 25% a mais do que a safra passada. “Isso se deve aos investimentos realizados nos últimos anos em novos vinhedos, que agora começam seus ciclos produtivos. Com isso, vamos engarrafar 20 milhões de litros de sucos, vinhos e espumantes. Novamente, teremos uma safra de qualidade, já que a previsão climática para janeiro e fevereiro é de pouca chuva, o que favorece a maturação da uva”, prevê. 


Na Cooperativa Vinícola Garibaldi, expectativa do enólogo Ricardo Morari é colher 25% a mais do que a safra passada. Foto: Augusto Tomasi

Já na Cooperativa Vinícola Aurora a expectativa é que sejam colhidos, aproximadamente, 70 milhões de quilos de uva, volume cerca de 15% maior em relação ao ano anterior. A maior quantidade de uvas deve ser recebida entre os dias 8 e 16 de fevereiro. Com a safra 2021, a estimativa é que mais de 50 milhões de litros de bebidas, entre vinhos, espumantes, sucos e coolers, sejam elaborados pela Vinícola Aurora. “Foi um ano atípico na Serra Gaúcha, com forte estiagem entre a primavera e o verão, o que gerou algumas perdas, mas nada que comprometesse o volume. Por outro lado, isso proporcionou uma ótima sanidade nas frutas e, consequentemente, uma excelente qualidade, que vem se mantendo”, explica Maurício Bonafé, coordenador agrícola da Vinícola.

Entre as três unidades de vinificação de Bento Gonçalves, a empresa recebe, em média, 2,5 milhões de quilos de uva por dia. Historicamente, a produção da Vinícola Aurora representa entre 10% e 15% da safra gaúcha, a maior do país. Em 2020, a Aurora colheu 61,9 milhões de quilos de uva para processamento, representando 12,25% da vindima no Rio Grande do Sul (504,9 milhões de quilos).

O professor e doutor em Vitivinicultura Leonardo Cury da Silva, do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), explica que, por conta do evento climático La Niña, uma série de fenômenos meteorológicos podem ser alterados ao longo do ano, como a distribuição de calor, a concentração de chuvas e a formação de períodos extensos de seca. “Há previsões de que o fenômeno La Niña atinja seu pico no mês de janeiro de 2021, o que fortalecerá ainda mais a estiagem durante este mês. Entretanto, a Agência de Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa) mantém a previsão do gradual enfraquecimento da fase fria do Oceano Pacífico no decorrer do segundo trimestre de 2021, com indicação de uma fase de transição/neutralidade para meados de 2021, e que pode ser avaliado como uma previsão de mais uma excelente safra por vir em 2021/22”, avalia.


Professor e Doutor em Vitivinicultura, Leonardo Cury aposta que, se o tempo contribuir, safra 2021 pode superar a de 2020. Foto: Arquivo pessoal
 

Ao considerar um período de estiagem pontual, principalmente durante a maturação dos frutos, o enólogo e/ou o viticultor podem optar por realizar períodos mais extensos de sobrematuração das bagas, principalmente nas variedades tintas. “Assim como na Safra 2019/2020 as variedades mais beneficiadas com a estiagem pontual passam a ser justamente as variedades tintas. O controle da maturação tecnológica (acidez e açúcares) e fenólica (cor, aromas e taninos) passam a ser novamente os grandes trunfos para o aumento da qualidade dos frutos e consequentemente dos vinhos elaborados a posteriore”, garante,  Leonardo, afirmando que a safra 2020/21 é uma  candidata fortíssima a assumir o posto de “Safra das Safras” ainda ocupado pela 2019/20.




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