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27/01/2021 16:10:11, escrita por SERRANOSSA

Pesquisa da UCS desenvolve modelo de Inteligência Artificial para monitoramento de contágio da COVID-19

Em fase de desenvolvimento, pesquisa multidisciplinar da UCS atua em ferramenta para mapear a tendência de contágios e, assim, orientar governos na tomada de decisões nos âmbitos da saúde e da economia

Mais uma iniciativa para auxiliar no controle da pandemia na região da Serra Gaúcha está sendo posta em prática na Universidade de Caxias do Sul (UCS). Com o auxílio de estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores estão desenvolvendo um modelo de Inteligência Artificial (IA) para auxiliar na previsão de novas infecções pelo Coronavírus.  A pesquisa, intitulada 'Criação de um Modelo de Inteligência Artificial para Previsão e Identificação de Infecções por Sars-Cov-2 Considerando Testes RT-PCR e Sorologia IGG e IGM', ocorre no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, sob a coordenação do professor Leandro Corso, doutor em engenharia com foco em otimização e docente dos dois programas.

Trata-se de um modelo matemático que faz uso de elevada capacidade computacional e algoritmos de aprendizagem de máquina, capaz de mapear a tendência de contágios e, a partir da leitura de dados oficiais já coletados, projetar o cenário futuro de infecções. O sistema utiliza como base de dados a testagem da população que se busca alcançar o panorama. “A aplicação é realizada na cidade Caxias do Sul. Nós dividimos a cidade, juntamente com a secretaria de Desenvolvimento e da Saúde, em sub-regiões. A modelagem matemática de Inteligência Artificial (IA) interpreta as características e dados de cada sub-região, gerando informações e projeções dos casos de infecções. O projeto prevê direcionamento de testes para as sub-regiões que apresentem poucos testes, de forma a melhorar o nível de acerto do modelo. Quanto maior o nível de testagem, melhor a acuracidade do modelo de IA, ou seja, mais ele vai acertar”, explica o professor. 


Professor Leandro Corso, coordenador da pesquisa

Por meio do modelo, os gestores públicos apenas precisam inserir os dados solicitados e o próprio sistema apontará o relatório daquela região. “Os resultados vão mostrar o que a Inteligência Artificial está projetando de crescimento ou decréscimo em relação ao nível de infectados ao longo de um período de tempo”, afirma. “A gente pode projetar para daqui duas semanas, por exemplo, então teremos as estimativas de quinta, sexta, sábado e assim por diante, por 15 dias”, exemplifica. 

O pesquisador ainda esclarece que o desenvolvimento do sistema de IA fornecerá meios para que os órgãos responsáveis possam agir no sentido de minimizar os impactos relacionados à economia, já que será possível identificar de forma mais assertiva a necessidade de medidas restritivas de circulação. “O modelo servirá para o evento atual da Covid-19, mas também poderá ser aplicado por qualquer outra epidemia que venha a surgir, ou mesmo, ser adaptada para outras situações que resultem em crises de saúde pública”, adianta Corso.

Inicialmente, o modelo está sendo desenvolvido no âmbito regional, mas o pesquisador afirma que ele poderá ser transformado e aplicado em outras instâncias. 

Atua na iniciativa uma equipe multidisciplinar, com representantes do poder público, por meio dos governos municipal e estadual, universidades, empresas e sociedade civil, além de pesquisadores voluntários da graduação e da pós-Graduação da Universidade. São parceiros a Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC-Caxias); o Instituto de Pesquisas em Saúde/Centro de Saúde Digital da UCS; o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS); o Instituto Hélice; a Prefeitura Municipal de Caxias do Sul e a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS).

O financiamento dos trabalhos ocorre por meio do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, a partir da compra de equipamentos computacionais e testes, e da própria UCS, direcionando horas dos pesquisadores para o desenvolvimento do modelo. 

No momento, a pesquisa encontra-se em fase de análise exploratória de dados e de estruturação técnica de modelagem matemática/computacional. “São pesquisadores de diferentes áreas atuando intensamente para construção do modelo”, ressalta Corso. A expectativa é que, em um mês, o modelo já possa ser utilizado na prática.
 




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