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06/09/2021 16:47:44, escrita por Eduarda Bucco

Estudantes de Barbosa são premiadas com pesquisa de uso de canabidiol para tratamento do Parkinson

Pesquisa das alunas Brenda Victoria Bonatto e Sabrina Zaro, sob orientação da professora Sandra Seleri, da escola Elisa Tramontina, recebeu o primeiro lugar na feira da UCS e foi selecionada para a Febrace, Feira Brasileira de Ciências e Engenharia

O projeto de duas alunas da Escola Estadual de Ensino Médio Elisa Tramontina, Brenda Victoria Facchini Bonatto e Sabrina Machado Zaro, está recebendo atenção e reconhecimento nacional. Sob orientação da professora Sandra Seleri, as estudantes desenvolveram uma pesquisa que visava comprovar a viabilidade de extração de canabidiol da planta arruda (Ruta graveolens), a fim de criar um extrato para possível controle de tremores do Parkinson. 

A pesquisa participou da mostra municipal de Carlos Barbosa e recebeu o prêmio destaque, na área da natureza, além de credencial para a Mostraseg, promovida pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). Na feira da UCS, o projeto ganhou o primeiro lugar, com direito a bolsa de estudos na universidade e credencial para a Mostratec em novo Hamburgo. Nesse evento, a pesquisa recebeu o prêmio “Revista Liberato”, com direito a publicação de artigo na revista da instituição.

Neste ano, a pesquisa foi selecionada para a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, a Febrace. O evento aconteceu em março, de forma on-line. “Para mim, como orientadora, que acaba de sair de uma avaliação formidável e repleta de apontamentos positivos por parte dos avaliadores, sou só orgulho, das minhas alunas e da minha escola (porque o apoio da direção e colegas é importante)”, declara a professora Sandra Seleri. 

 

O projeto recebeu, na Febrace, o Prêmio ABRIC de Incentivo à Ciência; o Prêmio Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (SBBq) e, ainda, foram selecionadas para participar da INFOMATRIX Brasil, que acontecerá em setembro. 

Sandra orienta pesquisas científicas pré-universitárias desde 2012. Essa é a sua sexta participação na Febrace, sendo que, em 2017, recebeu o prêmio de professor destaque na feira. “Projetos que oriento participaram e participam de feiras municipais, regionais, estaduais, nacionais e internacionais. Em 2018 recebemos medalha de prata na Genius Olimpyad em NY, com outro projeto que também participou da Febrace na época”, conta. Questionada sobre como ajudar a incentivar novos pesquisadores desde a escola, a professora revela que o segredo é motivação, dedicação e “vontade de fazer a diferença, de acreditar que mesmo tão jovens, eles podem abrir novos caminhos para si e para os que virão a seguir”, revela. “Ouço muito dos alunos finalistas que participar de projetos de pesquisa mudou a perspectiva que eles tinham do futuro, a perspectiva que tinham de si mesmos. Porque às vezes o aluno só precisa que alguém acredite neles...acredite que eles podem, que são capazes”, complementa a professora.


 

Sobre a pesquisa

A ideia da pesquisa surgiu de uma situação pessoal das alunas. Tanto Brenda quanto Sabrina têm avôs que sofrem do Parkinson. "Nós sempre percebemos a dificuldade que eles têm para fazer as coisas do dia a dia. Uma vez, procurando se informar sobre o assunto, a Sabrina achou um vídeo de um homem que tomava o extrato do canabidiol da Cannabis sativa e, logo, os sintomas motores da doença quase desapareciam", conta Brenda.

A doença se trata de um distúrbio do sistema nervoso central que afeta o movimento, muitas vezes causando tremores. Danos às células nervosas do cérebro fazem com que os níveis de dopamina caiam, causando os sintomas. Com base em evidências científicas de que o canabidiol possui potencial para proteção das células que produzem a dopamina, as estudantes decidiram estudar a viabilidade de extração de canabidioides, de modo relativamente simples, de uma planta mais comum e que seja legal. Atualmente, o Brasil ainda lida com uma série de burocracias para obter remédios à base de cannabis sativa, por se tratar de uma planta ilegal no país. “Nosso organismo é cheio de receptores e a arruda tem componentes que conseguem se ligar com esses receptores, então eles vão agindo de forma a proteger nossos neurônios e não causar efeitos psicotrópicos”, explicam as alunas. 

A pesquisa recebeu o nome de “Estudo da viabilidade da extração de canabidioides  da Ruta graveolens no possível controle dos tremores do Parkinson”. As alunas, então, desenvolveram um extrato de arruda que, comprovadamente, possui canabidiol em sua composição. Dessa forma, os três objetivos da pesquisa foram alcançados: encontrar uma planta comum que possua canabidioides, salvo a cannabis sativa; desenvolver um método de extração específico para ser usado em tal planta e realizar testes para comprovar a existência de canabidioides no extrato resultante.

"Para mim, desenvolver um projeto sobre tratamentos alternativos para uma doença tão séria como o Parkinson, e ainda conseguir resultados positivos, me fez perceber que vale a pena se arriscar para atingir objetivos que pareçam impossíveis", comenta Brenda. Ainda, me deu mais esperança para tentar a faculdade de Medicina. Agora estou fazendo cursinho pré-vestibular para, justamente, apostar nessa possibilidade", revela.

Sabrina ressalta as oportunidades e as amizades trazidas pelo estudo. "A pesquisa cientifica me abriu portas que eu jamais imaginaria. Sem ela não teria todo esse conhecimento, todas as memórias das feiras que participamos, todas as amizades feitas lá, foi algo que só agregou na minha vida, e se pudesse, recomendaria a todos a participarem da pesquisa cientifica", finaliza. 




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