Política
23/02/2021 14:12:56, escrita por Raquel Konrad

Presidente da Câmara sugere que comunidade grave professores que discordam do retorno às aulas presenciais

Um dos assuntos mais comentados da sessão da Câmara de Vereadores de Bento Gonçalves nesta segunda-feira, 22/02, foram as restrições impostas pela bandeira preta e também o cancelamento das aulas presenciais. Além de fortes críticas às decisões do governador Eduardo Leite, alguns vereadores também dirigiram seus julgamentos aos professores que não se sentem seguros para voltar às aulas. Isso porque, o Sindiserp lançou um comunicado defendendo a retomada apenas após a vacinação dos professores. 

O presidente da Câmara de Vereadores, Rafael Pasqualotto, chegou a manifestar em tribuna que a população deva filmar aqueles professores que se recusam a voltar às salas de aulas. “Assim como cada um dos senhores são fiscalizados e vigiados, sabe o que tem que começar a fazer, que é politicamente incorreto? É pegar alguns professores, não estou falando de todos, somente aqueles que não querem retornar e que dizem que é perigoso, e filmar quando estiverem indo no mercado, quando estiverem indo na praça, no aniversário, no casamento. Vamos ver se ele realmente está cumprindo [o isolamento]”, afirmou. Pasqualotto ainda questionou as medidas de segurança no combate ao coronavírus. “Se está aumentando o nível de internação, então eu começo a duvidar até da máscara, até dos protocolos, eu começo a duvidar se não estamos em um frenesi, em uma loucura, que alguém tem que parar e dizer: o vírus não é de 2020, sempre existiu, sempre conviveu com a gente e sempre vai existir, com chinês comendo sapo, com fulano pegando vampiro”.

Pasqualotto afirmou que são os pais que têm que decidir pela vida de seus filhos e que hoje a política está sendo usada para dificultar a vida das crianças e dos trabalhadores. “Tem muito professor querendo voltar. Tem muita gente usando política, usando Bolsonaro, usando governador. E a criança e o pai que precisa trabalhar está neste fogo cruzado. Está na hora de cumprir com o juramento quando se formou. É impressionante, as pessoas se formam e depois reclamam daquilo. É como jogador de futebol entrar em campo e reclamar do suor. É querer ser vereador e não querer ser criticado. É fazer um juramento e ter medo de dar aula. A criança está precisando. Isso é horrível para a vida educacional, pedagógica, didática dela. Educação é serviço essencial”, completou. 

Anderson Zanella também critica professores
Mesmo que a decisão do cancelamento das aulas tenha sido imposta pelo governo do Estado, os professores seguiram sendo alvos de duras críticas. O vereador Anderson Zanella, além de criticar a falta de vacinação, as restrições impostas pelo Estado, também comentou sobre a nota do Sindiserp que se manifesta contrária à retomada das aulas antes da vacinação. “E todos os médicos e enfermeiros que ficaram mais de ano trabalhando à frente do Covid sem vacina? Cadê o juramento que se faz quando se forma? Esses mesmos que não querem voltar às aulas, mesmo com todos os protocolos, vão devolver seus salários? É fácil dizer fique em casa quando o salário está garantido, quando nós pagamos a conta”, manifestou, ainda dizendo que os sindicatos não podem ser usado para fazer política.

O vereador Duda Pompermayer pediu a palavra e se dirigiu a Zanella e ao presidente Pasqualotto, afirmando que o peso do cancelamento da volta das aulas não pode ficar em cima dos professores. “A maioria quer voltar e a educação não é pauta da esquerda ou da direita e não tem que ser”.




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