Segurança
11/08/2019 14:11:43, escrita por Greice Scotton Locatelli

Antigo presídio: apenas uma lembrança de dias de angústia

No que um dia foi o Presídio Estadual de Bento Gonçalves, o tempo e o improviso deixaram marcas profundas

Rua Assis Brasil, 368. O endereço que durante tantos anos foi sinônimo de indefinições, está prestes a se tornar apenas uma longínqua lembrança de angústia e de um passado trágico no qual pessoas perderam a vida. É no número 368 da rua Assis Brasil, no centro de Bento Gonçalves, que funcionava o Presídio Estadual, desocupado desde a última sexta-feira, dia 1º.

Nesta semana, a reportagem do SERRANOSSA teve acesso ao prédio. As celas vazias só reforçaram a certeza que há muito se tinha: não havia condições mínimas no local. Mais do que os evidentes problemas estruturais agravados pelas várias rebeliões, pela falta de manutenção decorrente de verbas escassas que deveriam vir de um Estado falido e pelo improviso de décadas, o prédio era uma “bomba-relógio” em função da falta de segurança. Nele chegaram a viver mais de 360 homens e mulheres, em um espaço cuja capacidade de Engenharia previa, no máximo, 96.  

 


 


Clique aqui e confira a galeria completa de fotos do interior do antigo presídio.


Nas paredes, o mofo predomina, com seu cheiro característico. No teto, as marcas de infiltração estão por todo o lugar, assim como a fiação exposta e o consequente risco de incêndio. O que restou do que antes eram paredes sem pintura que mantinham dezenas de homens presos é um misto de sujeira e desdém: quando os apenados foram transferidos, não puderam levar roupas e objetos, já que a nova Penitenciária fornece uniforme e itens básicos de higiene padronizados. Para trás, ficaram toalhas de banho, roupas, colchões, cobertores, ventiladores e até itens que não deveriam fazer parte do contexto: muitos celulares, quebrados propositalmente antes da transferência, e facas de todos os tamanhos. 

 


 


 

Aliás, até o nome era impróprio. A “Cadeia Civil”, como diz a placa até hoje fixada na entrada, se tornou o Presídio Estadual de Bento Gonçalves com o passar do tempo. Entretanto, por definição, “presídio” é um lugar para prisões temporárias, enquanto “penitenciária” é o nome dado a locais de reclusão permanente, como era a casa prisional no centro da cidade, explica o último diretor do Presídio Estadual e primeiro administrador da nova Penitenciária, Volnei Zago. 

Apesar de desocupado, o prédio ainda será utilizado por mais alguns dias: além da retirada dos objetos deixados para trás, que serão entregues às famílias dos apenados que se interessarem em recebê-los e da necessária limpeza, há algumas questões técnicas relacionadas à energia, por exemplo. Depois disso, se a promessa feita pelo governador Eduardo Leite durante a cerimônia de inauguração da penitenciária do Barracão se confirmar, o antigo presídio será oficialmente só uma triste lembrança do passado. Mas isso é assunto para um próximo capítulo desta “novela” da vida real.

 


 



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