Vida & Estilo
28/08/2019 09:26:48, escrita por SERRANOSSA

Lançado guia de prevenção do comportamento suicida em crianças e adolescentes

O Guia intersetorial de prevenção do comportamento suicida em crianças e adolescentes foi lançado nesta terça-feira (27/8). A publicação é da Secretaria da Saúde em parceria com outras secretarias do Estado e entidades que fazem parte do Comitê Estadual de Promoção da Vida e Prevenção do Suicídio. O ato ocorreu durante o seminário Autolesão e comportamento suicida na infância e adolescência: prevenção e posvenção, que é uma das atividades que marcam a programação do Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre a prevenção ao suicídio.

O guia visa orientar profissionais de saúde, educação, assistência social, segurança pública e do Conselho Tutelar sobre o tema. O suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial que pode afetar indivíduos de diferentes origens, faixas etárias, condições socioeconômicas, orientações sexuais e identidades de gênero. Contudo, pode ser prevenido, e saber reconhecer os sinais de alerta é o primeiro passo. No caso de crianças e adolescentes, a sua situação peculiar de desenvolvimento exige ações que possam apoiá-los nesta fase e que contribuam para a prevenção da violência interpessoal e da violência autoprovocada.

Bendl também falou de importantes ações de prevenção que podem ser usadas no cuidado a essas pessoas, como a redução do acesso a métodos de suicídio, treinamento e atualizações das equipes de saúde, melhora da rede de atendimento e controle de bebidas alcoólicas. Por outro lado, o médico ressaltou que há ações de prevenção com efeito contrário, sendo na verdade prejudiciais.

O seminário, realizado no Teatro do Prédio 40 da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre, teve entre os palestrantes o médico da família e comunidade André Luís Bendl. Na oportunidade, ele falou sobre a posvenção, termo criado para designar ações, atividades, intervenções, suporte e assistência para aqueles impactados por um suicídio. Além de apresentar referências teóricas do tema, Bendl descreveu alguns sinais de alerta do comportamento suicida.

O material está disponível em formato digital no site da Secretaria da Saúde, pelo endereço www.saude.rs.gov.br/saude-mental.

 

Sinais de alerta e fatores de risco

• Preocupação com sua própria morte ou falta de esperança
• Expressão de ideias ou intenções suicidas
• Diminuição ou ausência de autocuidado
• Mudanças na alimentação e/ou hábitos de sono
• Uso abusivo de drogas/álcool
• Alterações nos níveis de atividade ou de humor
• Crescente isolamento de amigos e família
• Diminuição do rendimento escolar
• Autoagressão
• Mudanças no vestuário para cobrir partes do corpo (por exemplo, vestindo blusas de manga comprida)
• Relutância em participar de atividades físicas que antes eram apreciadas, particularmente aquelas que envolvem o uso de shorts ou roupas de banho, por exemplo

 

Outros fatores de risco

• Histórico de tentativas de suicídio ou autoagressão
• Histórico de transtorno mental
• Bullying (e/ou cyberbullying)
• Violência intra ou extrafamiliar;
• História de abuso sexual
• Suicídio na família
• Baixa autoestima
• Uso de álcool e outras drogas
• Populações vulneráveis a pressões sociais e discriminação (LGBTI+, indígenas, negros/as, situação de rua, entre outros)

 

O que evitar

• Evitar romantizar ou glorificar o suicídio
• Não dar detalhes excessivos sobre como o evento ocorreu
• Não descrever o ato como corajoso ou racional
• Não criar espaços de homenagens ou dedicatórias à pessoa que morreu
• Reconhecer a perda e as dificuldades, mas evitar mudar a rotina o máximo possível
• Evitar grandes reuniões em massa focando no caso



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