Vida & Estilo
17/07/2020 09:54:25, escrita por Eduarda Bucco

Cresce a procura por adoções de gatos em Bento Gonçalves

Por muitos anos os gatos foram vistos como animais ariscos, muito independentes e até mesmo perigosos. Ainda é possível encontrar pessoas que têm receio de adotar um gatinho, mas o cenário tem mudado consideravelmente, pelo menos em Bento Gonçalves. Apenas na ONG Patas e Focinhos, 64 gatos foram doados entre os meses de março e julho deste ano. “Foram boas adoções. Mesmo sem as feiras estamos tentando manter os mesmos critérios para adoção e conversando com os adotantes”, comemora a voluntária Laisa Favero Filippi.

Segundo a protetora individual Greicy Giotto, nos últimos dois meses, 9 gatos foram adotados por intermédio entre o doador e o adotante. “Os gatos não eram meus, mas coloquei em contato pessoas que queriam adotar e pessoas que tinham animais para adoção. Todos adotantes foram excelentes”, comemora. 

De acordo com a protetora, o aumento da procura por gatos pode estar ligado ao número de pessoas morando em apartamentos, onde o espaço é reduzido. “Alguns condomínios têm restrição pelo tamanho de animais. É difícil encontrar cachorros pequenos para adoção. Além disso, gatos são mais independentes”, analisa. Greicy também acredita que as adoções tenham aumentado nos últimos meses devido à pandemia do novo Coronavírus. “Algumas pessoas têm me procurado por estarem mais em casa e quererem uma companhia. Mas claro que a gente não pode se ater a isso. A pessoa tem que ter noção que, quando voltar a trabalhar, não poderá devolver o animal”, alerta. 

O aumento na procura por gatos também foi constatado na ONG Todos Por Um Focinho. Entretanto, ainda é perceptível a preferência por filhotes. “Muita gente veio me pedir gatos. Muita gente mesmo. Mas não temos filhotes e as pessoas não quiseram gatos adultos”, lamenta uma das diretoras da ONG, Paula Trigo. “A maioria quer pequenos porque quer acostumar, achando que gato adulto não irá se adaptar. Mas às vezes eles se adaptam até melhor do que os filhotes, porque já sabem usar a caixinha de areia, por exemplo. Além disso, já se conhece o comportamento de gatos adultos, ao contrário dos filhotes, e a maioria já vem castrada. Isso reduz os custos para o adotante”, avalia Greicy. 

Apesar do preconceito, até mesmo alguns gatos adultos tiveram uma chance nos últimos meses. “Conseguimos doar 3, o que é muito bom. As pessoas parecem estar um pouco mais abertas nesse período”, acredita. 

Os gatinhos adultos foram doados pela protetora Tainá Domingas, com o auxílio de Greicy. De acordo com Tainá, os animais estavam aguardando um lar há cerca de 2 anos. “Eu resgatei esses gatinhos de uma casa onde passavam fome. Eu tinha 11 e conseguir doar 8. Três deles eram adultos e outros 5 eram filhotes. Então foi mais fácil doar”, relata. A protetora também acredita que o aumento na procura esteja relacionado ao fato de as pessoas estarem mais em casa. “Quando a gente postou fotos de dois gatinhos para doar veio muita gente querendo, aí direcionamos para as pessoas os gatos adultos e elas aceitaram. Vieram aqui, conheceram e levaram. É mais difícil, por isso tivemos que convencer o adotante que o adulto era mais querido, mais calmo. Foi um trabalho de conscientização”, explica. 


Consthanza Raffainer de Moraes Quines com o mascote Mingau, adotado através da protetora Tainá Domingas. Foto: Arquivo pessoal

Relatos de amor

A bento-gonçalvense Karine Cúnico adotou o primeiro gatinho no ano passado. Desde então, o amor por esses animais foi crescendo e a motivou a fazer mais uma adoção neste ano. Hoje, o Amendoim e a Castanha fazem do seu lar um lugar ainda mais especial. “Eu ficava com muita pena do Amendoim porque não tínhamos muito tempo para brincar com ele durante o dia. Ele acabava brincando sozinho. Aí vi que a Castanha havia sido encontrada em uma caixinha, junto com os irmãos, e estava para adoção. Foi amor à primeira vista. Agora os dois fazem tudo juntos”, relata. 


Karine adotou a Castanha para fazer companhia ao seu gato Amendoim. Nos últimos meses, ela também resgatou e adotou a cadela Madalena. Foto: Arquivo pessoal

Karine sempre ajudou animais de rua e ONGs do município, o que a colocou em contato com diversos casos de abandonos e maus-tratos. “Eu abracei a causa. Recentemente eu resgatei a Madalena, que foi abandonada com o ligamento rompido. Passou por cirurgia e ficaria na minha casa como lar temporário. Mas a gente teve uma ligação muito forte e eu não consegui me desapegar”, recorda. Hoje, ela tem duas cachorras, a Duff e a Madalena, e dois gatinhos, o Amendoim e a Castanha. “Nunca me imaginei com muitos animais, mas essa turma que tenho agora é sem igual. Eles me dão um motivo para chegar em casa feliz todos os dias. Ter um animal de estimação é sempre estar com a cabeça e o coração com eles”, declara. 

O pequeno Francisco Pagot Possamai, de 8 anos, está afastado dos colegas da escola, mas fez uma amizade especial durante essa pandemia. Frederico, o Fred, foi adotado por ele e sua mãe, Sandra Pagot, há poucas semanas, e já é considerado uma das maiores alegrias da casa. “Eu sempre fui ‘cachorreira’, até porque era alérgica a gatos. Mas o Francisco ama muito animais e a gente já tinha a intenção de adotar um bichinho. Acabamos optando por um gato, talvez por se mais independente. No começo eu estava com receio, mas conversei com a Greicy [Giotto] e ela me falou muito bem dos gatos”, relata Sandra. 


Sandra decidiu presentear o filho, Francisco, com um novo amigo. O gato Frederico é o mais novo membro da família. Foto: Arquivo pessoal

Segundo ela, a adaptação da família e do Fred foi rápida e fácil. E como toda adoção responsável, o pequeno Frederico está recebendo todos os cuidados necessários. “Ele está com cerca de dois meses. Já levamos ao veterinário, demos a primeira vacina e, mais tarde, iremos encaminhar para a castração. Meu apartamento também é todo telado, o que garante a segurança dele”, afirma. 

A adoção deu tão certo que Sandra já está pensando no próximo gatinho. “O Fred mudou bastante coisa na nossa vida. Agora a gente chega em casa e já tem uma sessão de terapia, porque brincar com ele nos tira o estresse. E ele e o Francisco se deram muito bem. Eu aconselho a quem puder adotar um bichinho, que o faça... tem tantos que sofrem maus-tratos, que são abandonados... e eles retribuem todo esse carinho. É um amor que não pede nada em troca”, finaliza Sandra. 

 




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